Terça-feira, 19 de Maio de 2015

"Mário de Sá-Carneiro e a Redenção pelas Ondas Hertzianas" por Ricardo Vasconcelos

Numa carta enviada a Fernando Pessoa, datada de 31 de agosto de 1915, e escrita por conseguinte já após o terramoto lisboeta de Orpheu, e do seu derradeiro regresso a Paris, Sá-Carneiro evidencia uma vez mais a sua adesão aos temas e à linguagem da modernidade e das vanguardas literárias e artísticas daquela cidade de antes e durante a guerra. Uma adesão que, como se perceberá, vai até à alma. Isto é demonstrado num texto a que o autor aparenta atribuir menos importância, chamando-lhe um ‘“mimoso” poema’ e remetendo-o para o post-scriptum da carta. Trata-se contudo de uma formulação que sintetiza de forma excelente o papel da cidade de Paris como instrumento de fragmentação e disseminação da identidade do indivíduo moderno. Neste caso, essa dispersão parte do mais importante símbolo da modernidade parisiense desta época – a Torre Eiffel – e ao mesmo tempo vai ilustrar a possibilidade de resolver o estatuto semiperiférico próprio do indivíduo português e do falante da língua portuguesa em geral, que é documentado noutros textos do autor:

 

vasconcelos_msac_1.png

 Fig. 9. BNP/E3, 1156-69ar (pormenor)

 

A minh’ Alma fugiu pela Torre Eiffel acima,

­– A verdade é esta, não nos criemos mais ilusões –

Fugiu, mas foi apanhada pela antena da T.S.F.

Que a transmitiu pelo infinito em ondas hertzianas...

 

(Em todo o caso que belo fim para a minha Alma!...]

 

Paris, agosto 1915

 

 

O poema de Sá-Carneiro explora o imaginário da T.S.F., a telegrafia sem fios, associada à Torre Eiffel, a partir da qual se disseminavam, neste período, sinais e mensagens.

 

vasconcelos_msac_2.png

 

Mais ainda, este imaginário do poema é partilhado com uma secção do caligrama “Lettre-Océan”, de Guillaume Apollinaire, publicado pela primeira vez na revista Soirées de paris, em junho de 1914.

 

Guillaume Apollinaire, “Lettre-Océan”, 1914.

vasconcelos_msac_3.png

 

Como foi já notado por Marjorie Perloff no seu estudo The Futurist Moment – Avant-Garde, Avant-Guerre, and the Language of Rupture, no caligrama a Torre Eiffel é indicada “pela sua localização (‘Sur la rive gauche devant le pont d’Iena’) e pela sua altura (‘Haute de 300 mètres’), e torna-se o centro a partir de onde irradiam linhas de palavras, como ondas de rádio que partem em todas as direções dos transmissores da Torre” (186). Como sugerem Greet e Lockerbie (381) a respeito deste poema de Apollinaire, a posição central da Torre além de tudo define o “ponto focal do universo” (381). Reportando-se ao uso expressivo da Torre Eiffel nos discursos artísticos da época, a ensaísta chega mesmo a falar de duas datas de nascimento para esta Torre: “a primeira, como monumento que prestava tributo à indústria, a peça-central da Exposição Universal de Paris de 1889, como emblema da nova estética futurista” (200). Quanto à segunda data, note-se que aquando da sua construção, uma vaga de artistas mostrou o seu menor apreço pelo edifício, em parte rejeitando a sua dimensão mais utilitária. Os artistas tentaram assim resolver o problema que consistia no desejo do esteta de impedir que a indústria ocupasse o espaço dedicado à arte e procuraram “derrubar as barreiras entre alta e baixa arte, entre, por assim dizer, as torres de marfim e Eiffel” (201). O simbolismo da torre para os artistas “avant-guerre” derivava principalmente da tensão entre as propostas públicas para o seu uso, propostas estas que eram eminentemente técnicas e utilitárias, e o facto de que estes mesmos usos se tornavam obsoletos rapidamente: “De facto, foi a própria dimensão vazia do significante [isto é, a ausência de uma utilidade evidente para a torre, desde a sua origem] que desafiou a imaginação Futurista a inventar metáforas extravagantes para a mesma” (Perloff, 205).

 

Na sua adesão à modernidade parisiense, também Sá-Carneiro se junta a este espírito e esta práxis dos artistas avant-guerre. Para Sá-Carneiro a Torre converte-se na metáfora mais radical da sua fragmentação e, de facto, da disseminação generalizada do sujeito moderno, ao mesmo tempo que permite a suspensão de um estatuto semiperiférico, no caso do indivíduo lusófono, ao ir resolvendo a tensão entre centro e periferia, já que, de acordo com o poema de Sá-Carneiro, estar no centro (ou neste centro) mais do que nunca se torna a condição para se alcançar outras regiões. Dois anos após o primeiro envio do sinal de rádio via T.S.F. a partir da Torre Eiffel, que data de 1913, e de facto um ano após a publicação do caligrama de Apollinaire já citado, Sá-Carneiro convoca este uso mais utilitário da Torre Eiffel para os seus próprios fins poéticos. O insight é único já que dá conta da completo entrelaçamento ou mesmo da fusão do indivíduo com a comunicação global de cariz simultâneo – uns bons 100 anos de todos nós nos apercebermos da colonização contemporânea do nosso inconsciente pela Internet, via smartphone.

 

Note-se ainda que já em “Manucure” o poeta lembrara que

vasconcelos_msac_4.png

e que em carta a Pessoa de 10 de março de 1913 Sá-Carneiro mostrara o seu fascínio em relação à possibilidade de o cubismo representar, entre outras imagens e conceitos, uma “deslocação do ar”.

Tudo isto é altamente influenciado diretamente pela presença do autor em Paris, a sua crescente familiaridade com a T.S.F. e a exposição à ansiedade social e artística em relação ao uso e ao simbolismo da Torre Eiffel, ansiedade que partilha com os artistas seus contemporâneos. Por outro lado, “A Minh’ Alma Fugiu pela Torre Eiffel acima” salienta a fragmentação do sujeito associado à velocidade dos tempos modernos, já que esta Alma escapa torre acima sem que ninguém a possa deter, e encontra forma de se disseminar rapidamente. Tal como em outros poemas de Mário de Sá-Carneiro, a imagem permite falar de um tipo de ascensão, mas desta vez Sá-Carneiro quebra, pelo menos aparentemente, com o paradigma de uma queda subsequente. A fuga desta Alma não é seguida de uma queda do topo da Torre, mas antes pela sua expansão universal, e é talvez a este facto que se deve o seu “belo fim” mencionado no poema.

 

Em última análise, focando-se nos aspectos técnicos associados à transmissão TSF, a poesia de Sá-Carneiro encontra na Torre Eiffel o instrumento ideal para elogiar a modernidade e ao mesmo tempo redimir uma tensão entre centro e periferia. Aqui a centralidade do sujeito torna-se a sua condição para uma forma de ubiquidade, ao mesmo tempo em que impossibilita qualquer queda. Na encruzilhada de discursos modernistas e vanguardistas, a identidade fragmentada que encontra o seu locus ideal na moderna capital francesa exponencia em “A Minh’Alma Fugiu pela Torre Eiffel acima” a solução ideal para a sua condição, já que esta dispersão representada no poema não implica a sua perda ou extinção, mas antes uma moderna redenção na ocupação do infinito pele rede comunicativa, progredindo pelas ondas hertzianas.

 

 

O presente texto é adaptado do seguinte ensaio:

Vasconcelos, Ricardo (2013). “Painting the Nails with a Parisian Polish – Modern Dissemination and Central Redemption in the Poetry of Mário de Sá-Carneiro,” in Pessoa Plural – A Journal of Fernando Pessoa Studies, n.o 4, December, pp. 131-153.

 

Outras obras citadas:

Perloff, Marjorie (1986). The Futurist Moment – Avant-Garde, Avant-Guerre, and the Language of Rupture. Chicago: The University of Chicago Press.

Greet, Anne Hyde, and S. I. Lockerbie (1980). “Commentary,” in Calligrams – Poems of Peace and War, by Guillaume Apollinaire. Berkeley: University of California Press, pp. 347-507.

 

 

publicado por CFP às 11:58
link do post | favorito

125 ANOS DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

cropped-Mario_Sa_Carneiro-dr1.jpgPorque há em nós, por mais que consigamos

Ser nós mesmos a sós sem nostalgia,

Um desejo de termos companhia —

O amigo como esse que a falar amamos.

 

Fernando Pessoa, 1934

 

 

publicado por CFP às 10:09
link do post | favorito
Segunda-feira, 11 de Maio de 2015

AMOR+ PESSOA: NOVA VISITA TEMÁTICA NA CFP

Com vontade de guiar os visitantes por lugares e tópicos alternativos – dentro de portas, viajando porém ao encontro dos interesses e curiosidades dos mais intrigados, a Casa Fernando Pessoa propõe, aos Sábados, um conjunto diferenciado de visitas temáticas.

 

Uma visita-experiência, aproximação aprofundada a um determinado tema, uma certa vertente, uma escolhida linha de leitura para chegar ao universo pessoano ou a regiões de vizinhança. E sobretudo a vontade de abrir a porta para novas linguagens, interpretações outras.

 

Amor+Pessoa encoraja os visitantes a conhecer Fernando Pessoa e o espaço, lugar e importância do Amor nas suas múltiplas dimensões e vidas: “o amor romântico, o amor à pátria, o amor à língua portuguesa, o amor à família ou até o amor carnal, Pessoa amou, como de resto amaram todos os seus eus. E (d)escreveu-o. Por detrás do fingimento poético que foi sua ferramenta criativa, o “falso virgem” teceu amor nas entrelinhas de grossa fatia da sua escrita. E se é verdade que quase sempre cerebralizou esse amor, dele se distanciando para melhor o interpretar, não é menos verdade que nos deixou pistas evidentes para a decifração dessa escolha.”

 

A partir do próximo sábado dia 16 de Maio, seguem-se essas pistas em Amor+Pessoa, a nova visita temática da CFP, com a orientação e a assinatura de Ricardo Belo de Morais (Equipa de Museologia e Património da CFP).

 

Detalhes aqui.

 

publicado por CFP às 14:41
link do post | favorito
Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

ORPHEU 100 ANOS - EXPOSIÇÃO PARA CIRCULAÇÃO

NWSLLTR_nós os de orpheu.jpg

 

Está disponível, para circulação nacional e internacional, a exposição Nós, os de Orpheu.  Desenvolvida em parceria com o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, enquadra-se nas celebrações dos 100 anos da revista "extinta e inextinguível" Orpheu.

 

Desenhada de raiz para circular em vários contextos, escolas, bibliotecas, centros de língua, esta exposição procurou um ângulo que permitisse apresentar a revista Orpheu e o grupo que a criou a partir de dentro, quer isto dizer: a partir dos contributos dos seus protagonistas, tanto no tempo histórico da revista, como posteriormente e a partir das memórias que estes autores e artistas nos legaram.

 

Nas palavras da comissão científica, Antonio Cardiello, Jerónimo Pizarro, Sílvia Laureano Costa:

 

"Há 100 anos um grupo de jovens publicou uma revista: Orpheu. Saíram apenas dois números. Foi o bastante para lançar a polémica e agitar o cenário artístico português, adormecido nas linhas estéticas novecentistas. Orpheu, revista e geração, “foi o primeiro grito moderno que se deu em Portugal”, na expressão de José de Almada Negreiros.    A exposição Nós, os de Orpheu – título parafraseado do texto de Fernando Pessoa na revista Sudoeste 3, em 1935 –, traça o percurso da revista e dos seus protagonistas, recorrendo, muitas vezes, às próprias palavras dos “órficos”.   Através da reprodução de diversas obras e documentos (fotografias, recortes de imprensa, correspondência, manuscritos, etc.), apresenta-se o “Nós” que formou Orpheu e alargam-se perspectivas de leitura a todos “Nós” que, um século depois, continuamos a descobrir Orpheu. Porque, como Pessoa concluiu: “Orpheu acabou. Orpheu continua.”

 

O ambiente gráfico e expositivo foi desenvolvido por Sílvia Prudêncio.

 

Nós, os de Orpheu circulará internacionalmente através do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, e, nacionalmente, através da Casa Fernando Pessoa.

 

Para mais informações, detalhes e solicitação do ficheiro digital:

info@casafernandopessoa.pt

+351 21 391 32 70

 

publicado por CFP às 15:34
link do post | favorito
Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

Hoje, no Dia Mundial do Livro

Hoje, dia 23 às 19h00, é apresentado o livro "1915 - o ano de Orpheu" (Edições tinta-da-china), um conjunto de ensaios que, a partir de diversos ângulos, procura reconstituir Portugal em torno de 1915.
A apresentação conta com a presença do organizador, Steffen Dix, e Guilherme d'Oliveira Martins ( Centro Nacional De Cultura) e José Manuel dos Santos (Fundação EDP).1915 o ano de orpehu.jpg

 

publicado por CFP às 12:27
link do post | favorito
Quinta-feira, 2 de Abril de 2015

Dia Internacional do Livro Infantil

pessoa01_red.jpg

 

No Dia Internacional do Livro Infantil, desafiámos o ilustrador João Fazenda a partilhar connosco algumas imagens.

montagem 1.png

 

As ilustrações de O menino que era muitos poetas* (Pato Lógico/INCM, 2014), com texto de José Jorge Letria, permitem aproximar as crianças da vida e obra de Pessoa, bem como daquela que é por muitos considerada a faceta mais complexa do contexto pessoano: a heteronímia.

pessoa04_red.jpg

 

 *O menino que era muitos poetas (Pato Lógico/INCM, 2014) está à venda na livraria da Casa Fernando Pessoa.

 

© DR em todas as imagens.

 

publicado por CFP às 13:49
link do post | favorito

Livros Infantis na biblioteca da Casa Fernando Pessoa

livro infantil (2)_red.jpg

 

 

No âmbito do Dia Internacional do Livro Infantil, deixamos abaixo alguns dos livros infantis que estão disponíveis na biblioteca da Casa Fernando Pessoa. A biblioteca da CFP é especializada em Fernando Pessoa e em poesia e está aberta de segunda a sexta, das 10h00 às 18h00.

 

SOBRE E DE FERNANDO PESSOA

- “O Meu Primeiro Fernando Pessoa”, Texto de Manuela Júdice, Ilustrações de Pedro Proença. Lisboa: Dom Quixote, 2007 (Plano nacional de Leitura);

- “Fernando Pessoa: o menino de sua mãe", Amélia Pinto Pais, Ilustrado por Rui Castro. Porto: Areal, 2011;

- “Fernando Pessoa: O Menino Que Era Muitos Poetas", Texto de José Jorge Letria, Ilustrações João Fazenda. Lisboa: INCM, 2014;

- “O Melhor Do Mundo São As Crianças: antologia de poemas e textos de Fernando Pessoa para a Infância", Lisboa: Assírio & Alvim, 1998;

- “Pessoa & CIA” (Banda Desenhada), Laura Pérez Vernetti. Lisboa: Asa, 2012;

- “ Fernando Pessoa Contado às Crianças Adultas", Jorge Chichorro Rodrigues, Ilustrações Rute Bastardo. Lisboa: Chiado Editora, 2013;

- “Fernando Pessoa, Mensagem, Adaptado para os mais novos" por Mafalda Ivo Cruz, Ilustrações de Sandra Serra, Santa Maria da Feira: Edições Quasi, 2008;

- "Poesia de Fernando Pessoa Para Todos", Selecção e Organização de José António Gomes, Ilustrações de António Modesto, Porto: Porto Editora, 2008;

- “Fernando Pessoa - Crianças Famosas”, José Viale Moutinho, Ilustrado por Fernando Oliveira. Porto: Campo das Letras, 1995;

- “ O Diário do Micas: Assalto à Casa Fernando Pessoa", Patrícia Reis, Ilustrações de Pedro Alves. Lisboa: Grupo Planeta, 2012;

 

OUTRAS OBRAS

- “O Tamanho da Minha Altura (entre outras coisas) ” (Livro vencedor do Prémio Literário Maria Rosa Colaço – 2007), texto de Suzana Ramos, Ilustrações de Marta Neto. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009;

- “Herbário”, poemas de Jorge Sousa Braga, com desenhos de Cristina Valadas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2007;

- “O Meu Primeiro Álbum de Poesia”, Selecção e prefácio Alice Vieira, Ilustrações Danuta Wojciechowska. Lisboa: Dom quixote, 2008.

 

 

publicado por CFP às 10:53
link do post | favorito
Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

ABRIL: MÊS ORPHEU*

A programação da CFP para Abril é especialmente dedicada à celebração e evocação de Orpheu - revista e grupo. Passam 100 anos sobre a publicação de um conjunto de textos cujos autores assinam, colectivamente, um novo modo – disruptor, provocador – de fazer e pensar a literatura em relação com as outras artes.

 

A recém-inaugurada exposição de Pedro Proença, Os Testamentos de Orpheu, ocupa a Casa Fernando Pessoa com uma revisita ao espírito e traço de Orpheu feita por um artista que repetidamente tem trabalhado sobre a intersecção das artes e dos textos literários.

 

A programação Orpheu estende-se para fora de portas, através de uma proposta transversal de criação artística, ao propor um regresso aos cafés como ponto de encontro e discussão sobre o lugar da literatura e da arte, como lugar de criação. O roteiro do Café Orpheu, aberto em Maio, atravessa a colina e leva ao Chiado, ao longo de todo o mês, criadores de diferentes áreas artísticas que experimentam agora, em tempo real – trabalho em curso – diferentes aproximações aos discursos e propostas de Orpheu na medida em que se relacionam com as suas linhas de trabalho, inquietações próprias.

 

A palavra de Orpheu é celebrada também pela programação regular da CFP: a segunda sessão do ciclo de leituras iniciado este ano, Sem casas não haveria ruas, uma parceria com a FJS e a BOCA, invoca Eles, os de Orpheu com um conjunto de textos que chegam dos dois volumes publicados de Orpheu bem como do terceiro, preparado e adiado. O já habitual debate Os Espaços em Volta, de Inês Fonseca Santos e Filipa Leal, recupera para Abril o tema do Manifesto, desdobrando-o em diferentes acepções. Um novo ciclo é aberto este mês, para continuar em Maio: O que é ser moderno hoje? é um conjunto de mesas-redondas orientadas por António Carlos Cortez e Luís Ricardo Duarte que pretende alargar o debate sobre a modernidade poética e perguntar de que forma, 100 anos depois de Orpheu, a modernidade é pensada e o que pode ser considerado inovação, ruptura ou vanguarda. As mesas-redondas irão ter lugar na CFP e no Martinho da Arcada alternadamente, contribuindo assim para a comunicação entre diferentes pontos e públicos da cidade.

Programa mensal desde Outubro, Poetas do Mar e Mundo partilha em Abril a poesia de São Tomé e Príncipe.

 

No programa de lançamentos e apresentações de livros, a Casa Fernando Pessoa recebe 1915 - O ano do Orpheu - conjunto de ensaios de diferentes autores, organizado por Steffen Dix para a Tinta-da-china. Será também apresentado este mês o volume de contos de Fernando Pessoa A Estrada do Esquecimento e outros contos, uma edição da Assírio & Alvim com organização de Ana Maria Freitas que dá a ler 20 contos inéditos.

 

Em Abril continua a consolidar-se o trabalho de serviço educativo em próxima articulação com o motivo do mês: continuam as visitas-temáticas, uma proposta CFP para uma visita-experiência ao nosso espaço com especial enfoque num determinado tema: Almada em Pessoa é uma visita em torno da relação entre estes dois nomes do grupo de Orpheu, um novo olhar sobre o Retrato que Almada fez de Pessoa e do segundo número da celebrada revista. Orpheu Tipográfico é, por sua vez, uma oficina para crianças que o Homem do Saco traz à Casa Fernando Pessoa: através da composição tipográfica com caracteres móveis, as crianças fazem e imprimem o seu próprio cartaz, na linha da revista modernista.

 

O mês abre com a exibição de (O vento lá fora), documentário brasileiro realizado em 2014 por Marcio Debellian, encontro de Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli - professora emérita da UFRJ e da PUC-Rio, especialista maior de Fernando Pessoa no Brasil - em torno da poesia de Pessoa. A mostra informal do filme, no dia 1, conta com a presença do realizador.

 

Abril passa a ser também de Herberto Helder: celebra o longo poema contínuo que fica. Encantatório, irrepetível.

E a vertigem profunda desse poema.

 

* por CLARA RISO

publicado por CFP às 13:42
link do post | favorito
Sexta-feira, 27 de Março de 2015

"O Marinheiro": a obra-prima teatral de Fernando Pessoa, 100 anos depois da publicação em Orpheu, por Ricardo Belo de Morais *

marinheiro-capa-petrus.jpg

Neste 2015, o Dia Mundial do Teatro que hoje se assinala encontra-nos também no “ano de Orpheu”, em que celebramos o centenário da revista "extinta e inextinguível", onde o génio de Fernando Pessoa brilhou fulgurante. Passam também, este mês, 100 anos sobre a primeira publicação de O Marinheiro.

 

O “drama estático em um quadro” de Pessoa foi escrito – ou, pelo menos, datado – a 11 e 12 de Outubro de 1913. O Marinheiro nunca chegou a ser representado em vida de Fernando Pessoa, mas foi a primeira obra que o autor se empenhou em publicar, nomeadamente na revista A Águia, ou através da Renascença Portuguesa. Malogradas essas tentativas, Fernando Pessoa viria a publicar O Marinheiro apenas dois anos depois no primeiro número da revista Orpheu.

 

marinheiro inicio.jpg

 

A clara intenção de Pessoa em apresentar-se como dramaturgo na mítica revista do movimento modernista português só espantará quem não conhecer a fundo as suas opções, claramente manifestadas, por exemplo, em cartas como a que escreveu a Adolfo Casais Monteiro, a 20 de Janeiro de 1935: “[…] O que sou essencialmente — por trás das máscaras involuntárias do poeta, do raciocinador e do que mais haja — é dramaturgo. O fenómeno da minha despersonalização instintiva a que aludi em minha carta anterior, para explicação da existência dos heterónimos, conduz naturalmente a essa definição.”

 

Com efeito, muito antes do “Dia Triunfal” de 8 de Março de 1914; muito antes do “drama em gente” da heteronímia; foi com O Marinheiro que o mais universal dos escritores portugueses escolheu condensar todas as suas obsessões. A peça ocupa um lugar único na produção literária pessoana: foi, de entre mais de vinte projectos teatrais, o único texto dramático que Fernando Pessoa completou e editou em vida. Além disso, foi um projecto que acompanhou Pessoa ao longo de todos os seus dias. A 4 de Março de 1915, em carta a Armando Cortes-Rodrigues, anunciando Orpheu I, Pessoa escreve que “O meu drama estático «O Marinheiro» está bastante alterado e aperfeiçoado; a forma que v. conhece é apenas a primeira e rudimentar. O final, especialmente, está muito melhor. Não ficou, talvez, uma coisa grande, como eu entendo as coisas grandes; mas não é coisa de que eu me envergonhe, nem — creio — me venha a envergonhar.”

 

No fabuloso jogo da heteronímia, onde o diálogo entre Pessoa e as suas criações (ou até das suas criações, entre elas) não cessa, é na sequência da publicação de O Marinheiro, em Orpheu, que Álvaro de Campos dedica a Fernando Pessoa, com o mais cáustico humor, as seguintes linhas:

 

A FERNANDO PESSOA, DEPOIS DE LER O SEU DRAMA ESTÁTICO
«O MARINHEIRO» EM «ORPHEU I»

       Depois de doze minutos   
       Do seu drama O Marinheiro,   
       Em que os mais ágeis e astutos   
       Se sentem com sono e brutos,   
       E de sentido nem cheiro,   
       Diz uma das veladoras   
       Com langorosa magia   
       
De eterno e belo há apenas o sonho. Por que estamos nós falando ainda?      

     Ora isso mesmo é que eu ia   
     Perguntar a essas senhoras…  
 
In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002

 

Quinze anos depois de Orpheu, agora em carta a João Gaspar Simões, a 10 de Janeiro de 1930, Pessoa volta a referir-se ao seu projecto, que vinha sendo requisitado pela equipa da revista Presença: “Respondo agora à sua pergunta sobre o publicarem na Presença ou em separata algumas das minhas antigas produções. Podem vocês dispor como quiserem das duas Odes e do Opiário do Álvaro de Campos e da minha Chuva Oblíqua – isto pelo que diz respeito a inserções no Orpheu. O Marinheiro está sujeito a emen­das: peço que, por enquanto, se abstenham de pensar nele. Se quiserem, poderei, feitas as emendas, dizer quais são: ficará então ao vosso dispor, como o estão as composições a que, como tais, acima me refiro.”

13.jpg

Tamanha era a dedicação de Fernando Pessoa a O Marinheiro que já nos anos 50 do século passado estavam descobertas e publicadas (nomeadamente por Petrus) as provas dos seus esforços de tradução da obra para francês. Décadas mais tarde, o espólio da Biblioteca Nacional revelou-nos também notas de Pessoa ortónimo – e do heterónimo Álvaro de Campos – em inglês, glorificando O Marinheiro como epítome do sensacionismo e uma produção literária capaz de criar “o terror intelectual mais subtil que jamais se viu”.

 

Definido por Pessoa como um “drama estático”, O Marinheiro não só prescinde como recusa todos os jogos de cena, designadamente o movimento. Numa torre de um castelo, numa dimensão fora do espaço e do tempo – ou para além destes – três mulheres velam, noite fora, o corpo de uma quarta. Procurando consumir as horas difíceis que as aguardam, até porque sabem que “ainda não deu hora nenhuma”, as três veladoras contam histórias e acabam por desembocar na evocação de um marinheiro, náufrago numa ilha deserta, que constrói para si uma realidade ficcional mais poderosa e real que a realidade. O marinheiro criado e invocado pelas três mulheres rapidamente as absorve nas teias da ficção, deixando-as suspensas entre passado e futuro, num hipnótico poema visual que confunde sonhadoras e sonhado.

 

É fácil especular como a participação de Fernando Pessoa em revistas da especialidade – e as críticas demolidoras que chega a assinar, para algumas obras tradicionais da época – o tenham empurrado para escrever algo que seria, no seu entender, “a peça perfeita”. Na verdade, Pessoa começa, a 1 de Março de 1913, a sua colaboração em Teatro: revista de crítica, que conhecerá quatro números. O seu director, Boavida Portugal, funda, em Novembro do mesmo ano, uma revista parecida, Teatro: jornal de arte, onde Pessoa também colaborará.

8.jpg

Enquanto “teatro do êxtase”, O Marinheiro apresenta-nos um Pessoa ligado aos simbolistas e ao movimento saudosista português, bebendo claramente inspiração no dramaturgo, poeta e ensaísta belga de língua francesa, Maurice Maeterlinck – mas partindo, daí, para aquilo que Pessoa chamaria o “sensacionismo integral” que viria, aliás, a desembocar em Pessoa na criação dos seus três heterónimos “principais”. A existência prévia de três “veladoras” fica, assim, ainda mais claramente longe de uma simples coincidência. As veladoras são todas a mesma, não se distinguem: ajudam-se, são solidárias em fugir à vida, no criar o sonho.

 

Ao recusar todas as regras básicas teatrais do teatro naturalista, mantendo apenas uma mise-en-scène espiritual, O Marinheiro é uma obra-limite, minimalista, provocatória e verdadeiramente de vanguarda. Também por isso, na sua complexidade, no seu distanciamento da realidade, tem um fascínio e desafios próprios, adequados à contemporaneidade, mas intimidatórios para o grosso dos encenadores e das actrizes.

 

Nas celebradas Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação (textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho. Lisboa: Ática, 1966.) é o próprio Fernando Pessoa quem posiciona, com assertivo rigor, tanto a sua peça como os seus companheiros de letras, face ao 'pai espiritual' belga:

 

O sensacionismo começou com a amizade entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Provavelmente é difícil destrinçar a parte de cada um na origem do movimento e, com certeza, absolutamente inútil determiná-lo. O facto é que ambos lhe deram início. Mas cada sensacionista digno de menção é uma personalidade à parte e, naturalmente, todos exerceram uma actividade recíproca. Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro estão mais próximos dos simbolistas. Álvaro de Campos e Almada Negreiros são mais afins da moderna maneira de sentir e de escrever. Os outros são intermédios. Fernando Pessoa padece de cultura clássica. Nenhum sensacionista foi mais além do que Sá-Carneiro na expressão do que em sensacionismo se poderá chamar sentimentos coloridos. A sua imaginação — uma das mais puras na moderna literatura, pois ele excedeu Poe no conto dedutivo em A Estranha Morte do Professor Antena —corre desenfreada por entre os elementos que os sentidos lhe facultaram, e o seu sentido da cor é dos mais intensos entre os homens de letras. Fernando Pessoa é mais puramente intelectual; a sua força reside mais na análise intelectual do sentimento e da emoção, por ele levada a uma perfeição que quase nos deixa com a respiração suspensa. Do seu drama estático, O Marinheiro, disse uma vez um leitor: «Torna o mundo exterior inteiramente irreal» e, de facto, assim é. Nada de mais remoto existe em literatura. A melhor nebulosidade e subtileza de Maeterlinck é grosseira e carnal em comparação. José de Almada-Negreiros é mais espontâneo e rápido, mas nem por isso deixa de ser um homem de génio. Ele é mais novo do que os outros, não só em idade como também em espontaneidade e efervescência. Possui uma personalidade muito distinta — para admirar é que a tivesse adquirido tão cedo.

Fernando Pessoa, 1916

 

 

Em Portugal, duas produções marcam, sem dúvida, tempos diversos mas cruciais da vida de O Marinheiro. Um primeiro destaque deve ser dado à 111ª Produção da Companhia de Teatro de Almada, estreada em Abril de 2008, com encenação do francês Alain Ollivier e as interpretações de Cecília Laranjeira, Maria Frade e Teresa Gafeira. Conforme testemunho de Alain Ollivier (que dois anos antes já havia montado a peça em França), o seu interesse por O Marinheiro nasceu da inspiração poética que perpassa todo o texto e “permite conhecer de onde vem a inspiração de Fernando Pessoa, que com 24 anos escreveu esta peça em dois dias. Mostra-nos a sua intuição, a sua visão daquilo que viria a ser a sua vida de artista, de tormento e de sofrimento.”

 

 

 

Mais de quarenta anos antes, o segundo destaque só pode naturalmente ser entregue ao mítico Grupo Fernando Pessoa, criado em Novembro de 1960, como resultado das comemorações do 25º aniversário da morte de Fernando Pessoa, realizadas pela Casa da Comédia no Centro Nacional de Cultura. Com encenação de Fernando Amado e direcção de João d’Ávila, O Marinheiro contou então com as interpretações das jovens Glória de Matos, Isabel Ruth e Clara Joana. Conforme nos conta a memória de João d’Ávila, foi um espectáculo onde Fernando Pessoa “brilhou como jóia rara de requintado gosto, no mais belo poema dramático, jogado entre três personagens femininas, que falam e sonham com O Marinheiro na mais delirante e poética sonoridade que alguma vez a língua portuguesa alcançara na sua musicalidade, onde o som da palavra, clarifica e ilumina o significado, tornando o real, sonho e onde o sonhado é ele próprio O Marinheiro, personagem inexistente, mas presente na acção mágica do teatro musicado, através das vozes de três mulheres veladoras. O Marinheiro é o V Império.”

 

Nas últimas décadas, O Marinheiro tem chegado a palcos de todo o mundo. No momento em que escrevemos estas linhas, está por exemplo em cena no Chile, no Centro Cultural Gabriela Mistral. Sob a direcção de Alejandro Goic, três das mais aclamadas actrizes chilenas (Bélgica Castro, Carmen Barros e Gloria Münchmeyer) continuam a levar esta obra de Pessoa a lotações esgotadas diárias. 

2072892-620x330.jpg

 

Em O Marinheiro, há oposição entre a vida e o sonho. Assistimos, ao longo da peça, à hesitação entre querer fugir da vida e um ritual em que, através do sonho, as veladoras querem voltar ao eu primordial. O sonho das veladoras é extremamente complexo: é passado e é divinatório, uma regressão que nos projecta para o futuro. O Marinheiro, algures entre o Céu e a Terra, é poder criador: – “Por que não será a única coisa real nisto tudo o marinheiro, e nós e tudo isto aqui apenas um sonho dele?…”

 

Em última análise, o marinheiro talvez seja o próprio Fernando Pessoa, apostado em concentrar realidade e acção, no sonho de viver.

 

Ricardo Belo de Morais

* Investigador, membro da equipa de Acolhimento da Casa Fernando Pessoa

 

Bibliografia activa

PESSOA, Fernando - O marinheiro : drama estático em um quadro (Introdução e notas de Petrus). Porto : Arte e Cultura, [D.L. 1966]. VII, 52 p.

PESSOA, Fernando - Ficção e teatro : o banqueiro anarquista : novelas policiárias : o  marinheiro e outros. Mem Martins : Europa América, D.L. 1986. 236 p.

PESSOA, Fernando - O marinheiro (Introdução de Teresa Rita Lopes). 1ª ed. Lisboa : Livros de Areia, 2008. 73 p. ISBN 978-989-8118-03-5

PESSOA, Fernando - O marinheiro (Introdução e notas de Cláudia F. Souza). Lisboa : Babel, 2010. 73P. ISBN 978-972-617-235-2

PESSOA, Fernando - Páginas de estética e de teoria e crítica literárias. Lisboa : Ática, 1994. - ISBN 972-617-103-2

 

Bibliografia Passiva

LOPES, Teresa Rita - Pessoa hoje : conhecimento, inflação? 1ª ed. Lisboa : Universidade Nova : Faculdade de Ciências e Tecnologia, 1984. 23 p.

BARBOSA, Luiz Henrique

O marinheiro : um drama pós-moderno? / Luiz Henrique Barbosa [e] Raimunda Alvim Lopes Bessa

In: Fernando Pessoa e o surgimento do sujeito literário / org. Lélia Parreira Duarte. - Belo Horizonte, 2007. - p. 144-158

 

Documentação online:

Pessoa e o Teatro de ÊxtaseTeresa Rita Lopes

Auto-tradução e experimentação interlinguística na génese d’O Marinheiro de Fernando PessoaClaudia J. Fischer

Elementos do Drama em O MarinheiroDebora Oliveira

publicado por CFP às 19:45
link do post | favorito
Quinta-feira, 26 de Março de 2015

"Retrato de Fernando Pessoa" por Almada Negreiros

Inauguração_Os testamentos de Orpheu_Pedro Proen

 

O Retrato de Fernando Pessoa feito por Almada Negreiros em 1954 é uma das representações mais simbólicas e reconhecidas de Pessoa, faz parte de um imaginário partilhado que relaciona os dois companheiros de Orpheu, gesto de homenagem e invocação.

  

Desde a abertura da Casa Fernando Pessoa em 1993, o quadro de Almada, propriedade do Museu de Lisboa, pode aqui ser encontrado e constitui, desde sempre, um dos pontos de maior valor e relevo do nosso espólio.

  

Neste momento, celebrando os 100 anos da “revista extinta e inextinguível” que veio revolucionar o meio artístico e literário português de então, procurámos uma forma de recolocar o famoso quadro de Almada, escolhendo para ele um lugar privilegiado no espaço da CFP que estimule um outro olhar sobre esse quadro que todos, de alguma forma, já conhecemos mas que agora se oferece a um novo modo de observação. Aguarda os visitantes.

 

Ler mais sobre esta obra aqui.

 

publicado por CFP às 13:39
link do post | favorito

Informações e contactos

www.casafernandopessoa.pt

Morada:

Rua Coelho da Rocha, 16, Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

Tel: 21 391 32 70

@: info@casafernandopessoa.pt

Horário: Segunda a Sábado das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17h30)

pesquisar

Categorias

agenda abril 08

agenda abril 09

agenda abril 10

agenda abril 11

agenda abril 12

agenda abril 13

agenda abril 14

agenda dezembro 07

agenda dezembro 08

agenda dezembro 09

agenda dezembro 10

agenda dezembro 11

agenda dezembro 12

agenda dezembro 13

agenda fevereiro 08

agenda fevereiro 09

agenda fevereiro 10

agenda fevereiro 11

agenda fevereiro 12

agenda fevereiro 13

agenda fevereiro 14

agenda janeiro 08

agenda janeiro 09

agenda janeiro 10

agenda janeiro 11

agenda janeiro 12

agenda janeiro 13

agenda janeiro 14

agenda julho 07

agenda julho 08

agenda julho 09

agenda julho 10

agenda julho 11

agenda julho 12

agenda julho 13

agenda julho 14

agenda junho 07

agenda junho 08

agenda junho 09

agenda junho 10

agenda junho 11

agenda junho 12

agenda junho 13

agenda junho 14

agenda maio 08

agenda maio 09

agenda maio 10

agenda maio 11

agenda maio 12

agenda maio 13

agenda maio 14

agenda março 08

agenda março 09

agenda março 10

agenda março 11

agenda março 12

agenda março 13

agenda março 14

agenda novembro 07

agenda novembro 08

agenda novembro 09

agenda novembro 10

agenda novembro 11

agenda novembro 12

agenda novembro 13

agenda novembro 2013

agenda outubro 07

agenda outubro 08

agenda outubro 09

agenda outubro 10

agenda outubro 11

agenda outubro 12

agenda outubro 13

agenda setembro 07

agenda setembro 08

agenda setembro 09

agenda setembro 11

agenda setembro 12

agenda setembro 13

agenda setembro 14

aniversários

biblioteca

casa fernando pessoa

casafernandopessoa

congresso

cursos

exposição

exposições

fernando pessoa

ler agustina

lisboa cidade do livro

mensagem do desassossego

mensagem do dia

o que importa

o que importa 2013

o que importa 2014

poesia

serviço educativo

um poema de amor por dia

uma noite com pessoa

todas as tags

arquivos

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

blogs SAPO

subscrever feeds