Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Homenagem a Orlando da Costa (1929-2006)

 

Com a participação de Mário de Carvalho, Maria Barroso, Urbano Tavares Rodrigues e moderação de Everton Machado. Será lido um testemunho escrito de José Manuel Mendes. Integrado no Colóquio Internacional ACT 27 Goa Portuguesa e Pós Colonial: Literatura, Cultura e Sociedade, uma organização da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dia 24 de Maio às 18h30 na Casa Fernando Pessoa.


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Morreu o escritor mexicano Carlos Fuentes

 

O escritor Carlos Fuentes morreu esta terça-feira no hospital de los Ángeles del Pedregal, na Cidade do México, onde se encontrava internado. O Prémio Cervantes (1987) e Prémio Príncipe das Astúrias (1994) morreu de problemas cardíacos, aos 83 anos. Tinha começado a escrever aos 29 anos e o seu último romance editado, Adão no Éden, foi publicado recentemente pela Porto Editora. É autor de O Velho Gringo; Cristóvão Nonato, Constância e outras Novelas para Virgens, Aura, A Laranjeira, Diana ou a Caçadora Solitária, A Campanha, Aquilo em que Acredito (todos editados em Portugal pela Dom Quixote).  Filho de mexicanos, Carlos Fuentes nasceu no Panamá, a 11 de Novembro de 1928, numa família de diplomatas e passou a sua infância entre a Europa e o continente americano. Licenciou-se em Direito na Universidade Autónoma do México e no Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, e prosseguiu a carreira diplomática de tradição familiar, sobretudo com o trabalho em organismos internacionais, em particular nas Nações Unidas, em Genebra. Em meados da década de 1970, dedicou-se ao ensino e leccionou nas principais universidades mundiais, de Paris a Princeton, Harvard, Columbia ou Cambridge. Em 1974, foi nomeado embaixador em Paris e, em 1977, demitiu-se para protestar contra a nomeação para embaixador em Madrid do ex-presidente mexicano Gustavo Díaz Ordaz , que ele considerava responsável pelo massacre dos estudantes no México em 1968. Numa entrevista que deu recentemente a Geneton Moraes Neto, do canal brasileiro Globo News, dizia que não trocaria a literatura por nada e que, aos 83 anos, só lamentava não ter tempo para escrever todas as histórias que imaginava. (fonte: Público)



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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
“Através de mil e um Outonos e Invernos” – Encontro com a poesia da Estónia

 

No dia 23 de Maio, assistiremos pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa, a uma sessão protagonizada pela poeta Kristiina Ehin, que entrará em diálogo com a música tocada pelo seu marido Silver Sepp. Kristiina Ehin nasceu em 1977 numa família de poetas. É hoje a poeta estónia mais traduzida no estrangeiro. Colectâneas suas foram publicadas em finlandês, sueco, irlandês, inglês, alemão, russo, udmurto e francês. O seu livro em inglês, traduzido por Ilmar Lehtpere, The Drums of Silence, recebeu em 2007 o prémio Popescu de poesia. O tema do amor aparece tratado com pudor e reserva, de maneira frequentemente alusiva, que estimula a imaginação do leitor. Mas Kristiina Ehin tem poesias sobre a memória, a percepção de si própria, a posição das mulheres na sociedade, o ambiente e a Sibéria, onde esteve em 2004.


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Nova dupla em estreia


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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Publicados cinco contos inéditos de Fernando Pessoa

 

Cinco contos inéditos de Fernando Pessoa são editados na coletânea O Mendigo e Outros Contos que a Assírio & Alvim acaba de publicar, com uma introdução de Ana Maria Freitas, que tem estudado o espólio do escritor. Os contos inéditos são: O Filatelista, Empresa Fornecedora de MitosA Perversão do Longe, O Mendigo e Num Bar de Londres. Os restantes, reunidos pela primeira vez em livro, foram já publicados em França pela  editora La Différence e, em Portugal, pela revista Mealibra, do Centro Cultural do Alto Minho. Os contos Memórias de um Ladrão, Alegações Finais, O Gramofone e O Papagaio só foram publicados na tradução francesa. (fonte: SIC Notícias) 



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'O que importa' (textos escolhidos) 3

Diz Sebald em “Os anéis de Saturno” que “escrever é a única maneira de me defender das recordações” e, por isso, porque ao guardá-las cá dentro elas se desfiguram numa amálgama de instantes desconexos e se configuram a seu belo prazer, me decido hoje a deixar no papel algumas tentativas de reconstituição de um tempo de horas lentas e melancólicas, subitamente iluminado pela tomada de consciência do propósito que me havia de guiar.

Pertencendo a uma discreta família classe média que vivia do trabalho intelectual, e neta de um histórico republicano maçon inconformado e inquieto, eu percebera desde cedo que o mundo tinha uma história e era grande, instável e perigoso. Compreendera que a justiça e a igualdade entre os homens dependiam de quem mandava e, pior que tudo, que neste país, no meu país, o poder estava nas mãos de poucos e violentos. Que se prendia, torturava e matava quem se lhes opusesse. Que era perigoso dizer o que se pensava. Que em tudo era preciso cautela. Sabia-o por conversas indirectas. As histórias trágicas de prisões e mortes eram sussurradas entre adultos, que os ensinamentos para a infância lá em casa, exaltavam o trabalho e a honradez num manto vigilante e disciplinador. E havia como que um fio a ligar a casa à escola, o fio da obediência, da hierarquia dos poderes, do recato e domesticidade feminina, da renúncia ao prazer. O proibido envolvia, como uma auréola ameaçadora, os dois exíguos espaços do quotidiano.

Foi assim que, à beira dos 15 anos, eu sabia muito pouco sobre o que dividia os homens e as nações, mas tinha a certeza de que havia em mim uma semente de revolta que precisava de adubo para se manifestar. Ora, o ano de 1961 foi fértil em momentos de excitação e expectativa. Chegava lá a casa uma sucessão de notícias espantosas que enchiam os corações de esperança. Acontecimentos perturbadores da ordem estabelecida. Foi o assalto ao Sta Maria na operação Dulcineia que me tocou especialmente. Crescera em mim, durante anos, uma certa ternura pelo Henrique Galvão, eternamente preso pela polícia política através das chamadas medidas de segurança e que, contava o meu avô que o visitava, vivia na prisão com um pardal que o acompanhava. Nesse ano, o corajoso político tinha passado à acção de forma tão radical e aventureira que, para mim, se fez herói. Foi também nesse mesmo ano que se iniciou a luta pela independência em Angola, que o ministro da defesa tentou um simulacro de golpe de estado, que os territórios na Índia passaram para a União indiana, e que eclodiu uma tentativa de revolta no quartel de Beja. Por cada notícia destas as vidas ficavam suspensas, suspensas no tempo de todas as possibilidades.

Nesse mesmo ano integrei a pró-associação dos liceus de Lisboa. Trago ainda comigo a lembrança da emoção que senti aquando da primeira reunião. Os jovens e as jovens da minha idade ou pouco mais velhos pareciam tão sabedores e inteligentes que abalavam e reconstruiam as minhas concepções, obrigando-me a interpretações mais elaboradas. Quando a reunião terminou, eu já não era a mesma, havia coisas novas em mim e um enorme entusiasmo. Muitas mais reuniões e encontros se seguiram, redacção e distribuição de comunicados na escola e tudo às escondidas, mentindo aos pais,“vou estudar para casa de uma amiga”, e eles acreditavam ou fingiam acreditar. Concedia a mim mesma o direito de mentir.

Em 62, o movimento estudantil toma proporções inimagináveis. Um vizinho da família e aluno na faculdade de direito entrava-nos casa dentro para contar as últimas. A concentração dos estudantes e a ocupação da cidade universitária pela polícia de choque, as posições do Marcelo Caetano, a carga policial e sequente greve em massa na cantina, as detenções de vários estudantes. A minha mãe, sentada no sofá, entusiasmava-se, era outra vez o pai a correr com o rei, era a verdadeira república de volta. As poucas referências na imprensa eram revoltantes. O pessoal do regime desorientava-se entre o assombro de ter filhos envolvidos na contestação e a propagação de aleivosias sobre o comportamento das raparigas estudantes na cantina ocupada. O meu pai franzia o sobrolho, desagradado. E eu a querer ir aos plenários e a ter de mentir e a desejar espreitar à noite uma RIA, sem mentira que me valesse. Nas aulas, era como se nada estivesse a acontecer. Tudo, espaço e gente, se comportava e interagia como sempre. Atrevi-me, com uma colega, a distribuir panfletos. Uma hora depois, todos os papéis se encontravam, muito arrumadinhos, na secretária da directora, que nos chamara para nos prevenir que era melhor não repetir o arrojo. Ninguém se referiu ao facto, nem professores, nem colegas. Todos ordeiros, disciplinados, quiçá assombrados. E a consciência política foi-se transformando em acção mais organizada. Entrei na faculdade onde as associações de estudantes eram como lava em ebulição.

Em 65, as prisões de muitos estudantes contribuíram para uma maior politização, e as manifestações de rua, assumidas como resistência e contestação à ditadura, eram o brado de uma juventude corajosa que não queria participar numa guerra fratricida, e se dispunha a lutar por um país mais justo e igualitário.

Ficou-me uma certa nostalgia desse tempo. Perguntava-se, num livro que não recordo, se se pode sentir nostalgia por um tempo de pobreza, de intolerância, de prepotência, de injustiça. É um misto de nostalgia e mal-estar. A verdade é que foi neste meu tempo de névoas que em mim se forjaram os sentimentos de solidariedade e cumplicidade com muitos para quem ainda hoje olho com ternura, e que foi também o tempo em que, com a soma dos medos, aprendi a coragem.

 

GRAÇA ANÍBAL


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Prémio Pessoa celebra 25 anos com entrega de galardão a Eduardo Lourenço

 

É uma cerimónia de peso a que está prevista para a entrega do Prémio Pessoa 2011 ao ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço hoje ao final da tarde na Culturgest, em Lisboa. A mesma que celebra os 25 anos do galardão e, também por isso, ajudou a definir a escolha do escritor de 88 anos entre os 50 possíveis vencedores. Presidente da República, primeiro-ministro e presidente da Assembleia da República marcam presença na cerimónia; como também anteriores vencedores do Prémio Pessoa – como o escritor Vasco Graça Moura, o bispo D. Manuel Clemente, a cientista Maria do Carmo Fonseca, a historiadora Irene Pimentel, entre outros, que estarão também numa conferência, à tarde, antes da cerimónia, que tenta responder à pergunta: “Que Portugal queremos daqui a 25 anos?”.

(fonte: Público)



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Orhan Pamuk ganha o prémio Sonning da literatura

 

O escritor turco Orhan Pamuk ganhou o prémio Sonning da literatura, o maior galardão cultural da Dinamarca, atribuído pela Universidade de Copenhaga, para recompensar trabalhos de relevância para a cultura europeia. Orhan Pamuk, de 59 anos, foi o primeiro escritor turco a receber o prémio Nobel da Literatura, em 2006, pela sua obra sobre as relações da sociedade turca com o Oriente e o Ocidente. O escritor será recebido em Copenhaga, dia 26 de Outubro, para receber formalmente o seu prémio. (fonte: DN)



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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
'O que importa' (textos escolhidos) 2

O QUE IMPORTA?

 

A vida é uma viagem e com ela muito há a aprender. Tenho observado o que os Homens querem da vida e concluo que, em grande sabedoria, lhes está o Universo, o nosso Planeta, a faltar. Estamos a viver tempos ostensivos em materialismo, mas o coração do Homem é Luz, sem chama, pois o Amor não está para a Humanidade, presente.

O nosso Planeta necessita de Amor e as crianças, o melhor da minha observação, estão a crescer com o coração atado e as mãos no teclado. Há muito, ando a notar que a vida está alheia do sábio “autista”, que não fala, mas tudo vê e deseja viver.

A escola anda às avessas com o conhecimento demasiado compacto e enciclopédico. Os alunos estão a retorquir o que demais desejam, os tristes professores, deixando de lado a Essência do seu Ser e não se entregando ao Amor. O que mais importa é o que temos no Deus do nosso interior. É o Amor que marca a diferença e que contribui tremendamente para a evolução do estimado Ser que o Homem é e, antes de mais, importa, em destemido tempo, Salvar.

 

JOÃO CARLOS C. GONÇALVES (20.02.2012)


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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
'O que importa' (textos escolhidos) 1

Iniciamos hoje a publicação dos textos seleccionados no âmbito da iniciativa O que importa e debatidos na presença do público no passado dia 24 de Abril.

 

O QUE IMPORTA? ESCREVER 0 MEU LIVRO DO DESASSOSSEGO!

 

1. Leituras & escrita

Alguém, que a memória me não deixou fixar, disse-me, em conversa informal, que nós somos os livros que lemos. De facto, este bibliómano tem duas certezas, uma é a de a vida ser curta para que se consiga ler tantos livros tão interessantes e úteis, a outra é a de que a vida é igualmente curta para que se consiga escrever sobre a permanente transfiguração do mundo, porque como diria o poeta “O mundo é uma bola colorida que pula e avança…” e nós somos simples mortais. Constataremos, então, caro Pessoa, que este mundo não pode ser transformado em Literatura!

 Algumas das leituras que fiz, foram exclusivamente lúdicas, como se o acto de abrir um livro, me conduzisse obrigatoriamente ao Paraíso, esquecendo-me do mundo; outras foram iniciadas por necessidade profissional. É que isto de se ser professor, torna-nos leitores compulsivos e o problema é que tomamos o gosto a esse estado incaracterístico. Depois das leituras, começa a fervilhar em nós a vontade de escrever. Tudo porque ler não é nada (já alguém o tinha dito] e escrever é tudo! Todos os textos que escrevemos e que germinam do nosso desassossego, acabam por ser novos seres que nascem de nós próprios. Todos eles são novos filhos que fazemos miraculosamente nascer, num acto inacreditavelmente hermafrodita. A ficção é [realmente] este mundo fantástico, no qual nos perdemos e, através dele, podemos ir muito além da realidade, vivendo a vida que outros viveram. Sem nada ocultar vos digo, que um dos meus grandes prazeres, aquele que me conduz à voragem das sensações, é o de construir histórias, adorná-las com novas personagens, encontrar as linhas de oposição e as de adjuvância, procurando surpreender o leitor, sempre que procuro inventar novos estatutos para os “meus” narradores e encontro [supostamente] um discurso e um estilo próprios. Escrevo, apago, modifico, como Sisífo o faria. É esta nossa fusão com o papel e a caneta (de que fala Ramos Rosa) que torna o acto de escrever tão fascinante e tão absorvente e que nos faz produzir um universo… que é plural!

 

2. Bibliómano

Na infância o paraíso era um bom livro e um quarto onde o lesse. Hoje esse quarto já não existe, porque está preenchido de livros. Contudo, esse quarto continua a ser um paraíso. É nele que descanso…como diria Saramago!

 

3. A escrita

 A escrita tem-se revelado uma amiga próxima. Confidente nos piores momentos, prazer obsessivo nos melhores. Foi devido a ela que nunca abdiquei de nada…embora já tenha tido vontade de fazer tudo do pior, como consideraria Herberto Hélder!

 

4. Ensinar

Desde há dezoito anos que ensino, que educo, tentando conduzir (educare) os meus alunos à fonte do saber. Por vezes tento ser o professor (o que professa as suas matérias), noutras o doutor (o conhecedor), em algumas ocasiões finjo ser o sofredor. E tudo isto, confesso… por amor ao próximo!

 

5. O riso

Mil setecentos e setenta: o futuro do passado. Por esta altura, Sebastien-Roch Nicolas lia, nos luxuosos e quase etéreos salões franceses, as suas máximas e pensamentos. Uma ficou na memória daquele grupo de cortesãos, vestidos de forma espampanante: "Um dia perdido é aquele em que não nos rimos". Esta frase ficou para a eternidade e facilmente se memoriza, porque sem riso não há vida. Sem ele, a vida deixa de ser…oblíqua!

 

6. Subverter & sorrir

Subverter textos e depois…sorrir. Nesses exercícios de escrita, gasto muito do meu tempo! Desconstruir e apresentar alternativas para os finais de obras clássicas, refazer sinopses, reescrever poemas e cartas. Imitei, é certo, James Finn Garner, mas acostumei-me a fazer sorrir os meus [poucos] leitores. E, pensei, isto é fantástico! E pensei, é para eles que escrevo! Escrevi, então, a “Carta da Génese dos Antónios” e uma pseudo-carta de Fernando Pessoa a um professor. Por veneração à…mensagem de Pessoa: a do inconformismo! Nele me revejo, porque sempre tive um ar lutuoso, mas no meu novelo interior (tal como tinha no de Pessoa) o riso tem importância crucial.

 

7. A minha viagem à Índia

 A minha viagem à Índia [o meu Oriente] é imaginária. Uma viagem imaginária influenciada por Joyce, ou por Xavier de Maistre. A divulgação do meu Quinto Império não é imaginária, porque todos os dias o faço e é assim que chego à Índia e à China…sem lá chegar.

 

8. A Ilha dos Amores
O prémio de Pessoa, a sua Ilha dos Amores, foi o contrariar a sua neurastenia, dando-se a conhecer aos outros…pelo nome de outros. Um dos seus actos de amor foi o de criar a Íbis. Ele que também foi [surpreendentemente] Álvaro de Campos…e mais uma multidão. Persistiu admiravelmente, escreveu obsessivamente (tal como Vergílio Ferreira, que entrou no Paraíso a escrever) e, por isso, o admiro cada vez mais. Quem dera ter essa bulimia e essa arte!

 

9. O sacerdote…das letras

Confesso a minha não-vocação! Pessoa, esse sim, foi um verdadeiro sacerdote das letras. Abdicou de tudo o que poderia ter tido em seu favor. Mas o que teve lhe bastou: uma série de irmãos de escrita (brothers of writing) que falavam por ele. Por isso, nunca esteve só.

 

10. Inteligência

 Naquela cabeça certamente fervilharam milhares de pensamentos. Que pena só termos tido acesso aos que foi guardando na sua arca! Esta arca foi verdadeiramente de Noé, para nós, portugueses, para vós, brasileiros, para vós, sul-africanos. Quem dera ter uma arca assim!

 

CARLOS FERNANDES MARQUES


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publicado por CFP às 18:07
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