Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Pessoa em Durban, exposição em Óbidos e duas visitas nas Jornadas Europeias do Património, na Casa Fernando Pessoa. 

Estreou ontem no São Luiz Teatro Municipal ZULULUZU, um espectáculo do Teatro Praga que recria a passagem de Fernando Pessoa por Durban. À semelhança de outros espectáculos da companhia, traz uma PROPS: um objecto criado para a ocasião que, como um adereço que sai de cena, funciona como o que fica além do palco.

A PROPS de ZULULUZU é um jornal, FO'SHO e será apresentada na Casa Fernando Pessoa no dia 20 de Setembro.

Está quase a começar o Fólio: o Festival Literário Internacional de Óbidos decorre de 22 de Setembro a 2 de Outubro. A Casa Fernando Pessoa está presente com a exposição Utopia: Saramago e Pessoa, de que somos parceiros. Inaugura a 24 de Setembro, às 16h00. 

No mesmo dia 24, celebramos na Casa as Jornadas Europeias do Património. Associamo-nos com duas visitas gratuitas: às 11h30, visita guiada em inglês, e, às 15h00, a visita temática (em português) Coelho da Rocha, 16. A lotação é limitada: é mesmo necessário marcar. 

Vemo-nos em breve?

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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2016

O ponto de partida é a palavra, no Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa

Setembro é mês de regressos. Regressamos por isso ao contacto com novidades sobre o Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa até Dezembro.

O nosso ponto de partida é a palavra, é o texto - a literatura, a poesia - de Pessoa e de outros autores, e assim desenvolvemos propostas para públicos com diferentes expectativas, idades e áreas de interesse.  

Oficinas, vistas temáticas e outras actividades, a programação dos próximos meses do Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa pode ser consultada através deste link.

CPF Servic¦ºo Educativo Prog SET-DEZ16 Facebook.

 

publicado por CFP às 12:16
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

Nestes dois meses, a programação e o espólio da Casa Fernando Pessoa vão atravessar fronteiras

Entre Setembro e Outubro, tanto a programação como o espólio da Casa Fernando Pessoa vão atravessar fronteiras de diferentes tipos: chegam a vários países, cruzam áreas artísticas, ouvem diversas línguas. Actores, artistas visuais, poetas e tradutores tomam parte no programa destes dois meses: exposições, um espectáculo, as habituais conversas sobre livros, as leituras desses textos. Uma muito especial apresentação em França está marcada para 4 de Outubro. Grande parte dos livros que compõem a Biblioteca Particular de Pessoa, o espólio mais valioso da Casa, viaja para a galeria de exposições da Fundação Gulbenkian em Paris para integrar o Festival de l’incertitude [Festival da incerteza]. Paulo Pires do Vale comissariou o programa sobre o papel da utopia na nossa cultura e nele cabe bem a profusão de temas, autores, notas à margem e sublinhados que fazem a particularidade e o valor imenso da Biblioteca de Pessoa.

ZULULUZU é o novo espectáculo do Teatro Praga que vai buscar os anos de Pessoa em Durban, na África do Sul, para discutir certos lugares-comuns sociais e políticos, ao mesmo tempo que volta a questionar a mecânica do próprio teatro. Apresentado no Teatro Municipal São Luiz, aqui será feita uma conversa satélite sobre o lugar de Pessoa nesta discussão. De outros lugares vêm e de outras línguas se fazem os dois livros que vamos apresentar: Misteriosamente Feliz, do poeta catalão Joan Margarit, traduzido por Miguel Filipe Mochila, e Teoria do Um, vol. II de Mordechai Geldman, uma tradução do hebraico feita por João Paulo Esteves da Silva. Autores presentes e leituras nas várias línguas. Por fim, regressamos, como se faz nesta época do ano, aos programas regulares e às colaborações habituais: voltamos ao Clube dos Poetas Vivos, no Teatro D. Maria II, com Matilde Campilho; e recebemos o ciclo Sem casas não haveria ruas que vai trazer, muito a propósito, o tema da nossa recorrência: bibliotecas pessoais, leituras cruzadas, em particular Os livros que Pessoa leu.

Clara Riso · Directora da Casa Fernando Pessoa

publicado por CFP às 10:08
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2016

A seguir: Setembro e Outubro na rua e na Casa Fernando Pessoa

CFP-Cover-Profile-Facebook-SET-OUT-16.jpg

 

Já está em distribuição o folheto com a programação da Casa Fernando Pessoa para Setembro e Outubro. Encontre-o pela cidade de Lisboa, ou passe pela Coelho da Rocha, 16, para recolher um exemplar.  

Um bom motivo para vir até aqui será a Visita Temática Almas Pares, sobre Pessoa e Sá-Carneiro, na tarde de Sábado, 10 de Setembro. 

Ou, dias depois, voltar connosco a O Livro do Desassossego, em leitura no nosso Clube. O programa Ir à estante regressa à regularidade quinzenal a partir de 14 de Setembro. 

Encontre mais informações sobre estas duas propostas e ainda muitos e bons motivos para regressar à Casa Fernando Pessoa ou aos nossos programas Fora de Casa aqui

Vemo-nos por cá? 

publicado por CFP às 16:02
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016

A seguir, na Casa Fernando Pessoa: Vive sem horas e Sem casas não haveria ruas

A primeira quinta-feira de agosto é a quarta do programa Vive Sem Horas, a nossa parceria com o Hot Clube de Portugal. Sempre às 19h00, sempre às quintas, em Julho e Agosto, temos Jazz na Esplanada. 

Agosto é mês de Sem casas não haveria ruas na Casa Fernando Pessoa, desta vez na esplanada Flagrante Delitro. Hatherlyana é o título desta sessão, no sábado dia 6, às 17h00. 

Aqui pode encontrar informações detalhadas sobre estes programas.

Vemo-nos por cá, até breve.

publicado por CFP às 15:54
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Quarta-feira, 27 de Julho de 2016

"À minha querida mamã" por Helena Feital, aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

À minha querida mamã

 

Eis-me aqui em Portugal

Nas terras onde eu nasci

por muito que goste delas

ainda gosto mais de ti.

(26-07-1895)

 

Maman, Mamanm, oú allons nous

Ma belle maman?

 

O semblante sonhador daquele menino sério, parecia envolto numa aura de mistério... É que no seu olhar brilhava, de vez em quando, uma gotinha do mar que se espreguiçava pela sua cara, devagar. Assim como uma lágrima, percebem?

- Pronto! Já passou Fernando, já passou!...

Isto, disse-lhe a maresia que lhe fazia uma festa carinhosa na sua carinha rosada.

E pronto. Em seu lugar sorria agora a alegria de uma criança com vontade de brincar.

O Fernando já tinha sete anos e uma grande imaginação. Assim, começou logo a brincar às cinco pedrinhas com um amigo que viajava no seu coração. E que só ele via.

Já o acompanhava desde Lisboa a vinte de janeiro de 1896, quando embarcou naquele navio que se chamava Funchal e que o deixou na ilha da Madeira. Era no oceano Atlântico!

O Fernando ia com a sua mamã adorada e o querido Tio Taco, que gostava muito dele. E depois, quando deixaram a Madeira já iam num navio muito grande que se chamava SS Hawarden Castle que tinha saído da cidade inglesa de Southampton. O seu destino era Durban, uma cidade que se situava no país que é hoje a Africa do Sul, onde os esperava o seu novo Papá.

Tanto mar que aquele menino ainda tinha para desvendar...

- Olha, são tão bonitos. E tantos!!... São os golfinhos a brincar. Parecem jogar às escondidas. Fazem o pino no seu saltar mais engraçado. São tantas acrobacias no ar! Muito bem!! (e bateu palmas)

Hi, hi, hi, com a cabeça a abanar eles disseram que sim, que sim, que sim. Hi, hi, hi e lá foram embora.

- Está na hora de ir estudar porque a Mamã está a ensinar-me francês, inglês e muitas coisas mais. É como se estivesse na escola.

Maman, Maman, je t’aime beaucoup.

Hoje o céu estava azul acinzentado. Parecia que naquela nuvem escura estava a nascer uma tempestade.

- É melhor ir estudar lá para dentro senão a Mamã fica preocupada comigo.

E quando o jantar acabou, o barco já balançava, balançava, para cima e para baixo. Era assustador! Na caminha quentinha, o Fernando olhou para a Mamã que lhe sorriu com ternura. Para o menino parecia que o mar tinha acalmado e que a trovoada fugia em debandada.

...Tão diferente do “Sino da minha aldeia” que era calmo e alegre.

Bem, o melhor é fechar os olhos e adormecer.  Talvez quando acordares os trovões e os relâmpagos já se tenham ido embora.

No dia seguinte, o Fernando voltou ao convés do navio. O céu estava muito azul. O sol brilhava, tão quentinho. Aquecia a alma. Em redor só se via mar. Já não havia voltar...

Estavam no oceano Índico “O mais misterioso de todos”. Nisto, ouviu-se o grito de uma gaivota que voou com alvoroço, até ficar mesmo ao lado do Fernando.

- Olá (disse a gaivota com o seu piar mais profundo). Como te chamas?

- Chamo-me Fernando. Fernando Pessoa, e sou de Lisboa, em Portugal. Vieste conversar comigo?

- Claro, o que achas? E a tua Mãe onde está?

- A Mamã está ali sentada naquela cadeira a ler. Mas eu sei que ela está sempre a tomar conta de mim.

- Pois sim, pois sim. Desculpa. Que eu agora...

...e abrindo as asas de repente voou para muito alto, deu um salto e aí vem ela veloz...zzzzzzzzzzzz...plááááázz! Trazia no bico um peixe grande que engoliu apressadamente...glup, glup!

- Eu sei que não é bonito falar com o bico cheio mas...glup. Gluuuup! Já engoli. Agora já tenho a barriga cheia.

A tarde foi passando e eles sempre a conversar até que chegou a hora da gaivota ter de voar.

- Adeus Fernando acho que vais ser uma Pessoa muito importante para o mundo.

- Achas?!...(o Fernando riu feliz)

Diz-me o coração que eles ainda se vão ver. Talvez no futuro. Talvez num poema “Quando a alma não é pequena”.

No outro dia o menino acordou muito bem disposto. Tomou o pequeno almoço, conversou com a Mamã e o Tio Taco e depois foi estudar com a Mamã que ensinava tudo muito bem. Daí a pouco tempo chegariam a Durban e Fernando Pessoa iria entrar, em Março, na St. Joseph Convent School.

Lá fora, tendo o sol como um convite à brincadeira, ele empunhou uma espada imaginária, e lá começou a lutar “O Sonho é ver as formas invisíveis”.

Seria com o “Chevalier de Pas” esse seu maior amigo imaginado? Eu não sei, e tu?

 

Chevalier de Pas.jpeg

 

 

 

Então, viveram aventuras de grandes heróis, lutando com a sua espada no ar.

En garde”! Zás, tráááz, tráááz e zááás.

Vennez”! Tráz, zás, tráz, záááás.

Touché”! Venci!! Disse o Fernando a gritar de contente.

Fingindo que estava muito cansado sentou-se a olhar o mar imenso. Já era Fevereiro, depressa iriam chegar a um novo mundo.

Ele já tinha passado pela Cidade do Cabo, por Port Elizabeth (Algon Bay) e ainda por East London. No fim, o seu destino seria Natal, em Durban.

Tinha de ser forte. Estudar muito para ser o melhor. Tinha tantos sonhos!... Nisto, começou a ouvir-se plic, plic, depois plóc, plóc, plic, plôôôônc. Pronto, já estava a chover. Plônc, plic, plooc.

- Vou mas é lá para dentro porque está mais quentinho e não fico molhado.

Mais tarde, quando voltou cá para fora, ele viu bem perto, as baleias. Eram tão grandes! Splash...Brincavam e saltavam como uma flecha que se envolve no mar. Eram tão bonitas com aquela grande barbatana, deslizando suave a indicar-lhe o caminho. Livra! Não é que agora, mesmo junto ao barco, apareceram dois tubarões com um olhar sinistro. E os dentes muito aguçados pareciam querer triturar.

- A mim não. Estou cá em cima. Bem longe de vocês.

O Fernando não imaginava que os tubarões queriam dizer-lhe, e não sabiam como, estas palavras:

- Luta. Estuda muito e vencerás!

Que maravilha. Afinal o menino entendeu tudo. Para si próprio, o Fernando, confirmou com convicção: Já não sou um menino. Sei que quero escrever. Sim, eu quero ser escritor. Quero ser poeta! Quase um profeta, num infinito de lugares mágicos que darei a conhecer ao mundo, com a mesma coragem. E para vocês crianças, irei dizer

 

 

O sol.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao anoitecer brincamos às 5 pedrinhas

No degrau da porta da casa,

Graves como convêm a um Deus e a um Poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.”

 

 

 

Este, e tantos, tantos, outros poemas, muito belas, que um dia, tenho a certeza, irás gostar muito de ler.

 

Fim desta história: O Fernando tinha acabado de chegar a Durban – em meados de Fevereiro de 1896.

Ainda hoje e no futuro, Fernando Pessoa continuará a ser um grande poeta. Único e Universal.

 

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”

 

Já sei, já sei. Vocês querem saber quando é que nasceu Fernando Pessoa?

Nasceu no dia de Sto. António. A 13 de junho de 1888.

 

Nascimento.jpeg

 

 

 

Helena Feital

Junho 2016

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Sábado, 23 de Julho de 2016

Vive Sem Horas, Almas Pares, ainda um Verão de artista e call for papers

Ainda há vagas para a oficina no Jardim da Estrela, nas próximas semanas: Modernista, modernista, vais ter um Verão de artista!, um conjunto de actividades para crianças em férias.

Seguem as quintas-feiras de Jazz na Esplanada, com o programa Vive Sem Horas, a nossa parceria com o Hot Clube de Portugal, às 19h00, para os quentes fins de tarde.

No sábado, dia 30, às 15h00, a visita temática é Almas Pares, sobre a relação entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. 

Aos doutorandos que trabalham sobre Fernando Pessoa, reforçamos o apelo para o call for papers: 31 de Agosto é o prazo para enviar propostas para o Congresso Internacional a realizar em Fevereiro de 2017.

Vemo-nos por cá, até breve.

 

 

publicado por CFP às 17:22
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016

"Quinta da Regaleira …onde a Magia anda no ar" por Helena Feital, aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

Quinta da Regaleira

 …Onde a Magia anda no ar.

 

 

“Do vale á montanha                                                                     

Da montanha ao monte,

Cavalo de sombra,

Cavaleiro monge,

Por casas, por prados

Por quinta e por fonte,

Caminhais aliados.”                                                                

 

poço.jpg                                                                             Fig. 1 - Poço Iniciático

                                                                                                                              

E foi aliados nesta visita inesquecível que partimos por caminhos cheios de magia onde céu, terra e água se encontram num lugar enigmático e sobrenatural.

Logo à entrada tivemos como guia o Dr. António Silvestre que aliava à grande simpatia, um conhecimento vasto e profundo sobre a Quinta da Regaleira e os segredos ocultos nos seus bosques. E, claro, também sobre o Palácio.

Esta propriedade foi adquirida em 1840 por António Augusto de Carvalho Monteiro que, nessa época, a comprou por 25 contos de reis.

Carvalho Monteiro tinha como inspiração um espaço grandioso onde vivesse rodeado pelos símbolos dos seus interesses e ideologias. Ele queria evocar o passado mais glorioso de Portugal, daí a predominância do estilo Neomanuelino com a sua ligação aos descobrimentos e ainda pela arte gótica e alguns elementos clássicos.

Entre 1898 e 1900 dá-se inicio á construção do parque com o edifício dos cocheiros sob os planos do arquiteto cenógrafo italiano, Luigi Manini.

O simbolismo oculto da Quinta da Regaleira é enriquecido com temas esotéricos relacionados com a Alquimia, Maçonaria, Templários e Rosa Cruz.

 

 

Quanto a nós, eis-nos chegados à mitologia clássica que nos dá as boas-vindas na Álea dos Deuses composta pelo alinhamento de estátuas dos deuses Greco-Romanos: Fortuna, Orfeu, Vénus, Flora, Ceres, Pã, Dionísio, Vulcano e Hermes. E ainda, terminando, temos a Estátua do Leão que representa o sol que equivale na alquimia ao ouro.

E quando olho em volta para as árvores frondosas e muitas delas, raras, vejo as plantas de flores luxuriantes e…pareceu-me que tu, Fernando Pessoa, também estavas ali “Cavaleiro Monge” deslumbrado pelo bosque que vai sendo progressivamente mais selvagem até chegar ao topo da Quinta, bem lá no cimo, onde o céu lhe dá abrigo.

E a nossa aventura continua ao vermos a Torre da Regaleira, construída para dar a quem sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo. Nela vemos os símbolos Manuelinos sobre os descobrimentos dos portugueses.

Logo depois…que lindo este som cristalino! Que pureza há na música d´água caindo em cascata naquele lago. Era o Lago da Cascata. E continuamos, mais e mais sentido o mistério que nos conduz até ao Poço Iniciático – uma escadaria em pedra de 27 metros de profundidade, toda em espiral, sustentada por colunas esculpidas por onde se desce até ao âmago da terra – o fundo do poço. Constituída por 9 patamares separados por lances de 15 degraus, cada um invocando referencias à “Divina Comédia” de Dante e que podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso ou do purgatório. Quando por fim chegamos ao fundo do poço o nosso olhar encontra, embutida em mármore, uma Rosa dos Ventos (estrela de 8 pontas) sobre uma cruz templária que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, ao mesmo tempo, indicativo da ordem Rosa Cruz.

O poço diz-se iniciático porque se acredita que era usado em rituais de iniciação à maçonaria. O poço evoca conotações herméticas e alquímicas. Identifica a relação entre a terra e o céu. A saída é feita através de várias galerias ou tuneis, mas só uma nos levará até à luz: ao lago que marca o nosso caminho para o outro lado através das pedras que nos levarão ao simbolismo da redenção. As outras galerias vão dar a outros pontos de grande interesse na Quinta. Quanto a ti, Fernando Pessoa, sei que passaste para a luz na glória da tua obra incomparável.

Mas o poço também quis testar a nossa resistência às provações do tempo. Com a chuva acumulada pela terra, a água caía pelas rochas como uma chuva de verão que caía sobre o nosso corpo. Pelos degraus que pisávamos, também ela nos mostrava o caminho, como se fosse um pequeno ribeiro a saltitar de contente pelas suas maldades. Para nós, foi uma descoberta que vencemos.

Pelo caminho exuberante que nos leva ao Palácio, vemos a beleza da Gruta de Leda – a Deusa da justiça divina. Esta composição escultórica é subordinada ao tema – Leda e o Cisne. Celebram os amores de Leda com Zeus, o Cisne que fecunda Leda. A lenda refere que a pomba que Leda segura na mão simboliza o Espirito Santo. As 3 gerações que estão no centro dos elementos maçónicos representam a Força, a Sabedoria e a Beleza.

Depois encontramos a bela Capela da Santíssima Trindade que tem elementos maçónicos como “O olho de Deus”. A magnífica fachada está centrada no revivalismo gótico e manuelino.

Nela estão representados Santa Tereza de Ávila e Santo António. No meio, a encimar a entrada, está representado o Mistério da Anunciação – o Anjo Gabriel desce à terra para dizer a Maria que ela vai ter um filho do Senhor Deus Pai.

No interior do altar vê-se Jesus depois de ressuscitar a coroar uma mulher. Do lado direito, Santa Tereza e Santo António, desta vez, apresentados em painéis de mosaico. Do lado oposto, um vitral lindíssimo, apresenta-nos o milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho. No chão estão representadas a esfera armilar ou globo celeste e a Cruz da Ordem de Cristo rodeada de pentagramas (estrelas de 5 pontas).

E por fim, chegamos no aconchego acolhedor do Palácio. O edifício principal é marcado pela beleza estética da torre octogonal. Toda a exuberância da decoração interior do Palácio pertence ao arquiteto José da Fonseca.

Comecemos pelo alpendre: a caprichosa ornamentação evoca a epopeia dos Descobrimentos Portugueses e o arquétipo da viagem: A seguir entramos na sala de jantar, com uma lareira monumental, rematada pela escultura do monteiro e onde sobressai o tema da caça. Da policromia do mosaico veneziano, às mísulas da abóbada, transparece o tema do ciclo da vida.

E eis-nos chegados à “Sala dos Reis”, a antiga sala de bilhar onde estão representados 20 reis e 4 rainhas da monarquia portuguesa e, também, os escudos das cidades de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. Sobre a lareira encontra-se hoje o antigo brasão de Sintra. Aos pisos superiores não fomos. Já era tarde.

Quando regressávamos a Lisboa, durante momentos, ouviu-se o silêncio de cada um de nós, como se estivéssemos revivendo a magia daquele lugar onde Fernando Pessoa foi tantas vezes.

Lembro o final do seu poema sobre a Regaleira, escrito em 24-10/1932.

 

“Do vale à montanha,

Da montanha ao monte

Cavalo de sombra,

Cavaleiro monge,

Por quanto é seu fim,

Seu ninguém que o conte,

Caminhais em mim”.[1]

 

[1] Helena Feital

No final de Maio de 2016

 

Fonte bibliográfica: ANES, José Manuel, Os jardins Iniciáticos da Quinta da Regaleira. Lisboa: Ésquilo, 2007.

publicado por CFP às 17:15
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

Coelho da Rocha, 16

Fernando Pessoa nasceu, viveu e morreu em Lisboa. A visita Coelho da Rocha, 16 convida os visitantes a conhecer os múltiplos lugares da cidade pessoana, começando e terminando naquela que foi a sua última casa e a sua última rua.

 

Ou seja, o convite é para conhecer os sítios de Pessoa, sem sair das imediações do número 16 da Rua Coelho da Rocha. Uma visita de e com Luís Miranda (equipa de Museologia e Património da Casa Fernando Pessoa).


Este sábado, 16 de Julho, às 15h00. 

Duração: 90 minutos. Marcação prévia. Lotação limitada, 5€ (com descontos).

 

 

Coelho da Rocha 16_2.jpg

Coelho da Rocha.jpg

 

publicado por CFP às 10:34
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Terça-feira, 12 de Julho de 2016

Vive Sem Horas | Jazz na Esplanada

Em Julho e Agosto, a Casa Fernando Pessoa volta a combinar jazz e Verão e traz à esplanada Flagrante Delitro diferentes nomes e sons do jazz de Lisboa, numa repetida colaboração com o Hot Clube de Portugal.

Um convite para as horas largas do fim de tarde, em formato intimista, com duos que atravessam as várias gerações dos músicos de jazz portugueses.

CFP Cartaz Jazz na Esplanada 2016.jpg

 

 

 

publicado por CFP às 09:34
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Informações e contactos

www.casafernandopessoa.pt

Morada:

Rua Coelho da Rocha, 16, Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

Tel: 21 391 32 70

@: info@casafernandopessoa.pt

Horário: Segunda a Sábado das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17h30)

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