Quinta-feira, 2 de Abril de 2015

Dia Internacional do Livro Infantil

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No Dia Internacional do Livro Infantil, desafiámos o ilustrador João Fazenda a partilhar connosco algumas imagens.

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As ilustrações de O menino que era muitos poetas* (Pato Lógico/INCM, 2014), com texto de José Jorge Letria, permitem aproximar as crianças da vida e obra de Pessoa, bem como daquela que é por muitos considerada a faceta mais complexa do contexto pessoano: a heteronímia.

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 *O menino que era muitos poetas (Pato Lógico/INCM, 2014) está à venda na livraria da Casa Fernando Pessoa.

 

© DR em todas as imagens.

 

publicado por CFP às 13:49
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Livros Infantis na biblioteca da Casa Fernando Pessoa

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No âmbito do Dia Internacional do Livro Infantil, deixamos abaixo alguns dos livros infantis que estão disponíveis na biblioteca da Casa Fernando Pessoa. A biblioteca da CFP é especializada em Fernando Pessoa e em poesia e está aberta de segunda a sexta, das 10h00 às 18h00.

 

SOBRE E DE FERNANDO PESSOA

- “O Meu Primeiro Fernando Pessoa”, Texto de Manuela Júdice, Ilustrações de Pedro Proença. Lisboa: Dom Quixote, 2007 (Plano nacional de Leitura);

- “Fernando Pessoa: o menino de sua mãe", Amélia Pinto Pais, Ilustrado por Rui Castro. Porto: Areal, 2011;

- “Fernando Pessoa: O Menino Que Era Muitos Poetas", Texto de José Jorge Letria, Ilustrações João Fazenda. Lisboa: INCM, 2014;

- “O Melhor Do Mundo São As Crianças: antologia de poemas e textos de Fernando Pessoa para a Infância", Lisboa: Assírio & Alvim, 1998;

- “Pessoa & CIA” (Banda Desenhada), Laura Pérez Vernetti. Lisboa: Asa, 2012;

- “ Fernando Pessoa Contado às Crianças Adultas", Jorge Chichorro Rodrigues, Ilustrações Rute Bastardo. Lisboa: Chiado Editora, 2013;

- “Fernando Pessoa, Mensagem, Adaptado para os mais novos" por Mafalda Ivo Cruz, Ilustrações de Sandra Serra, Santa Maria da Feira: Edições Quasi, 2008;

- "Poesia de Fernando Pessoa Para Todos", Selecção e Organização de José António Gomes, Ilustrações de António Modesto, Porto: Porto Editora, 2008;

- “Fernando Pessoa - Crianças Famosas”, José Viale Moutinho, Ilustrado por Fernando Oliveira. Porto: Campo das Letras, 1995;

- “ O Diário do Micas: Assalto à Casa Fernando Pessoa", Patrícia Reis, Ilustrações de Pedro Alves. Lisboa: Grupo Planeta, 2012;

 

OUTRAS OBRAS

- “O Tamanho da Minha Altura (entre outras coisas) ” (Livro vencedor do Prémio Literário Maria Rosa Colaço – 2007), texto de Suzana Ramos, Ilustrações de Marta Neto. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009;

- “Herbário”, poemas de Jorge Sousa Braga, com desenhos de Cristina Valadas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2007;

- “O Meu Primeiro Álbum de Poesia”, Selecção e prefácio Alice Vieira, Ilustrações Danuta Wojciechowska. Lisboa: Dom quixote, 2008.

 

 

publicado por CFP às 10:53
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

ABRIL: MÊS ORPHEU*

A programação da CFP para Abril é especialmente dedicada à celebração e evocação de Orpheu - revista e grupo. Passam 100 anos sobre a publicação de um conjunto de textos cujos autores assinam, colectivamente, um novo modo – disruptor, provocador – de fazer e pensar a literatura em relação com as outras artes.

 

A recém-inaugurada exposição de Pedro Proença, Os Testamentos de Orpheu, ocupa a Casa Fernando Pessoa com uma revisita ao espírito e traço de Orpheu feita por um artista que repetidamente tem trabalhado sobre a intersecção das artes e dos textos literários.

 

A programação Orpheu estende-se para fora de portas, através de uma proposta transversal de criação artística, ao propor um regresso aos cafés como ponto de encontro e discussão sobre o lugar da literatura e da arte, como lugar de criação. O roteiro do Café Orpheu, aberto em Maio, atravessa a colina e leva ao Chiado, ao longo de todo o mês, criadores de diferentes áreas artísticas que experimentam agora, em tempo real – trabalho em curso – diferentes aproximações aos discursos e propostas de Orpheu na medida em que se relacionam com as suas linhas de trabalho, inquietações próprias.

 

A palavra de Orpheu é celebrada também pela programação regular da CFP: a segunda sessão do ciclo de leituras iniciado este ano, Sem casas não haveria ruas, uma parceria com a FJS e a BOCA, invoca Eles, os de Orpheu com um conjunto de textos que chegam dos dois volumes publicados de Orpheu bem como do terceiro, preparado e adiado. O já habitual debate Os Espaços em Volta, de Inês Fonseca Santos e Filipa Leal, recupera para Abril o tema do Manifesto, desdobrando-o em diferentes acepções. Um novo ciclo é aberto este mês, para continuar em Maio: O que é ser moderno hoje? é um conjunto de mesas-redondas orientadas por António Carlos Cortez e Luís Ricardo Duarte que pretende alargar o debate sobre a modernidade poética e perguntar de que forma, 100 anos depois de Orpheu, a modernidade é pensada e o que pode ser considerado inovação, ruptura ou vanguarda. As mesas-redondas irão ter lugar na CFP e no Martinho da Arcada alternadamente, contribuindo assim para a comunicação entre diferentes pontos e públicos da cidade.

Programa mensal desde Outubro, Poetas do Mar e Mundo partilha em Abril a poesia de São Tomé e Príncipe.

 

No programa de lançamentos e apresentações de livros, a Casa Fernando Pessoa recebe 1915 - O ano do Orpheu - conjunto de ensaios de diferentes autores, organizado por Steffen Dix para a Tinta-da-china. Será também apresentado este mês o volume de contos de Fernando Pessoa A Estrada do Esquecimento e outros contos, uma edição da Assírio & Alvim com organização de Ana Maria Freitas que dá a ler 20 contos inéditos.

 

Em Abril continua a consolidar-se o trabalho de serviço educativo em próxima articulação com o motivo do mês: continuam as visitas-temáticas, uma proposta CFP para uma visita-experiência ao nosso espaço com especial enfoque num determinado tema: Almada em Pessoa é uma visita em torno da relação entre estes dois nomes do grupo de Orpheu, um novo olhar sobre o Retrato que Almada fez de Pessoa e do segundo número da celebrada revista. Orpheu Tipográfico é, por sua vez, uma oficina para crianças que o Homem do Saco traz à Casa Fernando Pessoa: através da composição tipográfica com caracteres móveis, as crianças fazem e imprimem o seu próprio cartaz, na linha da revista modernista.

 

O mês abre com a exibição de (O vento lá fora), documentário brasileiro realizado em 2014 por Marcio Debellian, encontro de Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli - professora emérita da UFRJ e da PUC-Rio, especialista maior de Fernando Pessoa no Brasil - em torno da poesia de Pessoa. A mostra informal do filme, no dia 1, conta com a presença do realizador.

 

Abril passa a ser também de Herberto Helder: celebra o longo poema contínuo que fica. Encantatório, irrepetível.

E a vertigem profunda desse poema.

 

* por CLARA RISO

publicado por CFP às 13:42
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

"O Marinheiro": a obra-prima teatral de Fernando Pessoa, 100 anos depois da publicação em Orpheu, por Ricardo Belo de Morais *

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Neste 2015, o Dia Mundial do Teatro que hoje se assinala encontra-nos também no “ano de Orpheu”, em que celebramos o centenário da revista "extinta e inextinguível", onde o génio de Fernando Pessoa brilhou fulgurante. Passam também, este mês, 100 anos sobre a primeira publicação de O Marinheiro.

 

O “drama estático em um quadro” de Pessoa foi escrito – ou, pelo menos, datado – a 11 e 12 de Outubro de 1913. O Marinheiro nunca chegou a ser representado em vida de Fernando Pessoa, mas foi a primeira obra que o autor se empenhou em publicar, nomeadamente na revista A Águia, ou através da Renascença Portuguesa. Malogradas essas tentativas, Fernando Pessoa viria a publicar O Marinheiro apenas dois anos depois no primeiro número da revista Orpheu.

 

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A clara intenção de Pessoa em apresentar-se como dramaturgo na mítica revista do movimento modernista português só espantará quem não conhecer a fundo as suas opções, claramente manifestadas, por exemplo, em cartas como a que escreveu a Adolfo Casais Monteiro, a 20 de Janeiro de 1935: “[…] O que sou essencialmente — por trás das máscaras involuntárias do poeta, do raciocinador e do que mais haja — é dramaturgo. O fenómeno da minha despersonalização instintiva a que aludi em minha carta anterior, para explicação da existência dos heterónimos, conduz naturalmente a essa definição.”

 

Com efeito, muito antes do “Dia Triunfal” de 8 de Março de 1914; muito antes do “drama em gente” da heteronímia; foi com O Marinheiro que o mais universal dos escritores portugueses escolheu condensar todas as suas obsessões. A peça ocupa um lugar único na produção literária pessoana: foi, de entre mais de vinte projectos teatrais, o único texto dramático que Fernando Pessoa completou e editou em vida. Além disso, foi um projecto que acompanhou Pessoa ao longo de todos os seus dias. A 4 de Março de 1915, em carta a Armando Cortes-Rodrigues, anunciando Orpheu I, Pessoa escreve que “O meu drama estático «O Marinheiro» está bastante alterado e aperfeiçoado; a forma que v. conhece é apenas a primeira e rudimentar. O final, especialmente, está muito melhor. Não ficou, talvez, uma coisa grande, como eu entendo as coisas grandes; mas não é coisa de que eu me envergonhe, nem — creio — me venha a envergonhar.”

 

No fabuloso jogo da heteronímia, onde o diálogo entre Pessoa e as suas criações (ou até das suas criações, entre elas) não cessa, é na sequência da publicação de O Marinheiro, em Orpheu, que Álvaro de Campos dedica a Fernando Pessoa, com o mais cáustico humor, as seguintes linhas:

 

A FERNANDO PESSOA, DEPOIS DE LER O SEU DRAMA ESTÁTICO
«O MARINHEIRO» EM «ORPHEU I»

       Depois de doze minutos   
       Do seu drama O Marinheiro,   
       Em que os mais ágeis e astutos   
       Se sentem com sono e brutos,   
       E de sentido nem cheiro,   
       Diz uma das veladoras   
       Com langorosa magia   
       
De eterno e belo há apenas o sonho. Por que estamos nós falando ainda?      

     Ora isso mesmo é que eu ia   
     Perguntar a essas senhoras…  
 
In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002

 

Quinze anos depois de Orpheu, agora em carta a João Gaspar Simões, a 10 de Janeiro de 1930, Pessoa volta a referir-se ao seu projecto, que vinha sendo requisitado pela equipa da revista Presença: “Respondo agora à sua pergunta sobre o publicarem na Presença ou em separata algumas das minhas antigas produções. Podem vocês dispor como quiserem das duas Odes e do Opiário do Álvaro de Campos e da minha Chuva Oblíqua – isto pelo que diz respeito a inserções no Orpheu. O Marinheiro está sujeito a emen­das: peço que, por enquanto, se abstenham de pensar nele. Se quiserem, poderei, feitas as emendas, dizer quais são: ficará então ao vosso dispor, como o estão as composições a que, como tais, acima me refiro.”

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Tamanha era a dedicação de Fernando Pessoa a O Marinheiro que já nos anos 50 do século passado estavam descobertas e publicadas (nomeadamente por Petrus) as provas dos seus esforços de tradução da obra para francês. Décadas mais tarde, o espólio da Biblioteca Nacional revelou-nos também notas de Pessoa ortónimo – e do heterónimo Álvaro de Campos – em inglês, glorificando O Marinheiro como epítome do sensacionismo e uma produção literária capaz de criar “o terror intelectual mais subtil que jamais se viu”.

 

Definido por Pessoa como um “drama estático”, O Marinheiro não só prescinde como recusa todos os jogos de cena, designadamente o movimento. Numa torre de um castelo, numa dimensão fora do espaço e do tempo – ou para além destes – três mulheres velam, noite fora, o corpo de uma quarta. Procurando consumir as horas difíceis que as aguardam, até porque sabem que “ainda não deu hora nenhuma”, as três veladoras contam histórias e acabam por desembocar na evocação de um marinheiro, náufrago numa ilha deserta, que constrói para si uma realidade ficcional mais poderosa e real que a realidade. O marinheiro criado e invocado pelas três mulheres rapidamente as absorve nas teias da ficção, deixando-as suspensas entre passado e futuro, num hipnótico poema visual que confunde sonhadoras e sonhado.

 

É fácil especular como a participação de Fernando Pessoa em revistas da especialidade – e as críticas demolidoras que chega a assinar, para algumas obras tradicionais da época – o tenham empurrado para escrever algo que seria, no seu entender, “a peça perfeita”. Na verdade, Pessoa começa, a 1 de Março de 1913, a sua colaboração em Teatro: revista de crítica, que conhecerá quatro números. O seu director, Boavida Portugal, funda, em Novembro do mesmo ano, uma revista parecida, Teatro: jornal de arte, onde Pessoa também colaborará.

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Enquanto “teatro do êxtase”, O Marinheiro apresenta-nos um Pessoa ligado aos simbolistas e ao movimento saudosista português, bebendo claramente inspiração no dramaturgo, poeta e ensaísta belga de língua francesa, Maurice Maeterlinck – mas partindo, daí, para aquilo que Pessoa chamaria o “sensacionismo integral” que viria, aliás, a desembocar em Pessoa na criação dos seus três heterónimos “principais”. A existência prévia de três “veladoras” fica, assim, ainda mais claramente longe de uma simples coincidência. As veladoras são todas a mesma, não se distinguem: ajudam-se, são solidárias em fugir à vida, no criar o sonho.

 

Ao recusar todas as regras básicas teatrais do teatro naturalista, mantendo apenas uma mise-en-scène espiritual, O Marinheiro é uma obra-limite, minimalista, provocatória e verdadeiramente de vanguarda. Também por isso, na sua complexidade, no seu distanciamento da realidade, tem um fascínio e desafios próprios, adequados à contemporaneidade, mas intimidatórios para o grosso dos encenadores e das actrizes.

 

Nas celebradas Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação (textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho. Lisboa: Ática, 1966.) é o próprio Fernando Pessoa quem posiciona, com assertivo rigor, tanto a sua peça como os seus companheiros de letras, face ao 'pai espiritual' belga:

 

O sensacionismo começou com a amizade entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Provavelmente é difícil destrinçar a parte de cada um na origem do movimento e, com certeza, absolutamente inútil determiná-lo. O facto é que ambos lhe deram início. Mas cada sensacionista digno de menção é uma personalidade à parte e, naturalmente, todos exerceram uma actividade recíproca. Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro estão mais próximos dos simbolistas. Álvaro de Campos e Almada Negreiros são mais afins da moderna maneira de sentir e de escrever. Os outros são intermédios. Fernando Pessoa padece de cultura clássica. Nenhum sensacionista foi mais além do que Sá-Carneiro na expressão do que em sensacionismo se poderá chamar sentimentos coloridos. A sua imaginação — uma das mais puras na moderna literatura, pois ele excedeu Poe no conto dedutivo em A Estranha Morte do Professor Antena —corre desenfreada por entre os elementos que os sentidos lhe facultaram, e o seu sentido da cor é dos mais intensos entre os homens de letras. Fernando Pessoa é mais puramente intelectual; a sua força reside mais na análise intelectual do sentimento e da emoção, por ele levada a uma perfeição que quase nos deixa com a respiração suspensa. Do seu drama estático, O Marinheiro, disse uma vez um leitor: «Torna o mundo exterior inteiramente irreal» e, de facto, assim é. Nada de mais remoto existe em literatura. A melhor nebulosidade e subtileza de Maeterlinck é grosseira e carnal em comparação. José de Almada-Negreiros é mais espontâneo e rápido, mas nem por isso deixa de ser um homem de génio. Ele é mais novo do que os outros, não só em idade como também em espontaneidade e efervescência. Possui uma personalidade muito distinta — para admirar é que a tivesse adquirido tão cedo.

Fernando Pessoa, 1916

 

 

Em Portugal, duas produções marcam, sem dúvida, tempos diversos mas cruciais da vida de O Marinheiro. Um primeiro destaque deve ser dado à 111ª Produção da Companhia de Teatro de Almada, estreada em Abril de 2008, com encenação do francês Alain Ollivier e as interpretações de Cecília Laranjeira, Maria Frade e Teresa Gafeira. Conforme testemunho de Alain Ollivier (que dois anos antes já havia montado a peça em França), o seu interesse por O Marinheiro nasceu da inspiração poética que perpassa todo o texto e “permite conhecer de onde vem a inspiração de Fernando Pessoa, que com 24 anos escreveu esta peça em dois dias. Mostra-nos a sua intuição, a sua visão daquilo que viria a ser a sua vida de artista, de tormento e de sofrimento.”

 

 

 

Mais de quarenta anos antes, o segundo destaque só pode naturalmente ser entregue ao mítico Grupo Fernando Pessoa, criado em Novembro de 1960, como resultado das comemorações do 25º aniversário da morte de Fernando Pessoa, realizadas pela Casa da Comédia no Centro Nacional de Cultura. Com encenação de Fernando Amado e direcção de João d’Ávila, O Marinheiro contou então com as interpretações das jovens Glória de Matos, Isabel Ruth e Clara Joana. Conforme nos conta a memória de João d’Ávila, foi um espectáculo onde Fernando Pessoa “brilhou como jóia rara de requintado gosto, no mais belo poema dramático, jogado entre três personagens femininas, que falam e sonham com O Marinheiro na mais delirante e poética sonoridade que alguma vez a língua portuguesa alcançara na sua musicalidade, onde o som da palavra, clarifica e ilumina o significado, tornando o real, sonho e onde o sonhado é ele próprio O Marinheiro, personagem inexistente, mas presente na acção mágica do teatro musicado, através das vozes de três mulheres veladoras. O Marinheiro é o V Império.”

 

Nas últimas décadas, O Marinheiro tem chegado a palcos de todo o mundo. No momento em que escrevemos estas linhas, está por exemplo em cena no Chile, no Centro Cultural Gabriela Mistral. Sob a direcção de Alejandro Goic, três das mais aclamadas actrizes chilenas (Bélgica Castro, Carmen Barros e Gloria Münchmeyer) continuam a levar esta obra de Pessoa a lotações esgotadas diárias. 

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Em O Marinheiro, há oposição entre a vida e o sonho. Assistimos, ao longo da peça, à hesitação entre querer fugir da vida e um ritual em que, através do sonho, as veladoras querem voltar ao eu primordial. O sonho das veladoras é extremamente complexo: é passado e é divinatório, uma regressão que nos projecta para o futuro. O Marinheiro, algures entre o Céu e a Terra, é poder criador: – “Por que não será a única coisa real nisto tudo o marinheiro, e nós e tudo isto aqui apenas um sonho dele?…”

 

Em última análise, o marinheiro talvez seja o próprio Fernando Pessoa, apostado em concentrar realidade e acção, no sonho de viver.

 

Ricardo Belo de Morais

* Investigador, membro da equipa de Acolhimento da Casa Fernando Pessoa

 

Bibliografia activa

PESSOA, Fernando - O marinheiro : drama estático em um quadro (Introdução e notas de Petrus). Porto : Arte e Cultura, [D.L. 1966]. VII, 52 p.

PESSOA, Fernando - Ficção e teatro : o banqueiro anarquista : novelas policiárias : o  marinheiro e outros. Mem Martins : Europa América, D.L. 1986. 236 p.

PESSOA, Fernando - O marinheiro (Introdução de Teresa Rita Lopes). 1ª ed. Lisboa : Livros de Areia, 2008. 73 p. ISBN 978-989-8118-03-5

PESSOA, Fernando - O marinheiro (Introdução e notas de Cláudia F. Souza). Lisboa : Babel, 2010. 73P. ISBN 978-972-617-235-2

PESSOA, Fernando - Páginas de estética e de teoria e crítica literárias. Lisboa : Ática, 1994. - ISBN 972-617-103-2

 

Bibliografia Passiva

LOPES, Teresa Rita - Pessoa hoje : conhecimento, inflação? 1ª ed. Lisboa : Universidade Nova : Faculdade de Ciências e Tecnologia, 1984. 23 p.

BARBOSA, Luiz Henrique

O marinheiro : um drama pós-moderno? / Luiz Henrique Barbosa [e] Raimunda Alvim Lopes Bessa

In: Fernando Pessoa e o surgimento do sujeito literário / org. Lélia Parreira Duarte. - Belo Horizonte, 2007. - p. 144-158

 

Documentação online:

Pessoa e o Teatro de ÊxtaseTeresa Rita Lopes

Auto-tradução e experimentação interlinguística na génese d’O Marinheiro de Fernando PessoaClaudia J. Fischer

Elementos do Drama em O MarinheiroDebora Oliveira

publicado por CFP às 19:45
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Quinta-feira, 26 de Março de 2015

"Retrato de Fernando Pessoa" por Almada Negreiros

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O Retrato de Fernando Pessoa feito por Almada Negreiros em 1954 é uma das representações mais simbólicas e reconhecidas de Pessoa, faz parte de um imaginário partilhado que relaciona os dois companheiros de Orpheu, gesto de homenagem e invocação.

  

Desde a abertura da Casa Fernando Pessoa em 1993, o quadro de Almada, propriedade do Museu de Lisboa, pode aqui ser encontrado e constitui, desde sempre, um dos pontos de maior valor e relevo do nosso espólio.

  

Neste momento, celebrando os 100 anos da “revista extinta e inextinguível” que veio revolucionar o meio artístico e literário português de então, procurámos uma forma de recolocar o famoso quadro de Almada, escolhendo para ele um lugar privilegiado no espaço da CFP que estimule um outro olhar sobre esse quadro que todos, de alguma forma, já conhecemos mas que agora se oferece a um novo modo de observação. Aguarda os visitantes.

 

Ler mais sobre esta obra aqui.

 

publicado por CFP às 13:39
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Quarta-feira, 25 de Março de 2015

Nos 100 anos de Orpheu

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A montagem de uma programação especificamente dedicada à celebração dos 100 anos da revista Orpheu é um gesto natural e fundamental na definição das prioridades para o trabalho da Casa Fernando Pessoa em 2015.

 

Não só foi Pessoa elemento central e congregador do grupo e do projecto – ao lado de Sá-Carneiro e Almada Negreiros – como foram a geração e a revista determinantes para a construção – provocadora, disruptora – de uma nova ideia de modernismo literário e artístico.

 

O nosso programa integra propostas de várias áreas artísticas e tem o objectivo de chegar a diferentes plataformas de comunicação e interacção.

 

No dia 25 de Março inaugura a exposição Os Testamentos de Orpheu, de Pedro Proença, artista que há muito trabalha a intersecção entre linguagens – texto e imagem, tipografia e construção visual –, além de ter já antes, em diversos momentos, revisitado a obra de Pessoa.

 

A 28 de Março tem início o programa Café Orpheu, roteiro de leituras e performances nos cafés do Chiado, em que diferentes colectivos (teatro, dança, música) apresentam propostas que cruzam o legado de Orpheu com o trabalho que desenvolvem. Interferem assim na rotina habitual desses pontos de encontros casuais ou rituais, lugares de discussão e comunhão que são os cafés de então – como a Brasileira – e de hoje – como o Fábulas e o Kaffeehaus.

No mesmo dia tem início, dentro de portas, uma proposta do Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa: o programa de visitas temáticas, visitas-experiência em que um determinado tema é tratado com especial destaque. Em Almada em Pessoa, a primeira visita deste programa, o visitante é convidado a fazer parte da obra de Almada Negreiros, a propósito do lançamento de Orpheu.

 

O quarto projecto que a CFP tem preparado para o arranque do programa Orpheu em Março é o lançamento da exposição itinerante Nós, os de Orpheu, um projeto feito em colaboração com o Camões, I.P..  Nós, os de Orpheu apresenta a revista Orpheu a partir de dentro, recorrendo a documentos da época, cartas trocadas, reacções dos jornais e muitas citações de comentários e observações que uns elementos do grupo fizeram sobre outros.

 

Esta exposição vai circular internacionalmente através da plataforma do Camões e, no circuito nacional, será disponibilizada directamente pela CFP para a rede de escolas do ensino básico e secundário, bem como junto das bibliotecas municipais.

 

É uma exposição que valoriza tanto a investigação – cuidada, aprofundada – levada a cabo por Antonio Cardiello, Jerónimo Pizarro e Sílvia Laureano Costa, como o trabalho gráfico desenvolvido pela designer Sílvia Prudêncio – ou não fosse justamente Orpheu uma experiência de cruzamento artístico. Será ainda editado, como complemento e prolongamento desta exposição, um livro + CD da Editora BOCA que dá espaço e permanência ao trabalho feito pelos investigadores e pela designer.

 

Para outros momentos do ano, novos projectos estão a ser desenvolvidos sob o signo de Orpheu, e virão a lume nos meses que seguem.

publicado por CFP às 12:42
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Sábado, 21 de Março de 2015

No Dia Mundial da Poesia: "Cesário Verde: Tanto Passado, Todo o Futuro" por Ricardo Belo de Morais*

 

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José Joaquim Cesário Verde, “poeta de poetas”, foi aquele com quem começou, assumidamente, a moderna poesia portuguesa de um Séc. XIX que queria ser ainda mais futuro. Cesário Verde nasceu há 160 anos, no Lumiar, em Lisboa, a 25 de Fevereiro de 1855. Morreu prematuramente, aos 31 anos, a  19 de Julho de 1886, também em Lisboa, vítima da mesma tuberculose que já lhe roubara um irmão e uma irmã. Desprezado, ridicularizado e até mesmo atacado em vida, no que toca à sua produção literária, foi a posteridade que o agigantou e devolveu ao lugar de gigante que merece, na poesia portuguesa. 

A vida e obra de Cesário Verde podem ser recuperadas neste muito recomendável documentário de meia-hora, “O Livro de Cesário Verde”, produzido para a RTP em 2010, com os testemunhos de Maria Filomena Mónica, Miguel Tamen, Helder Macedo, Eugénio Lisboa e Pedro Mexia.

A data é também uma excelente oportunidade para recordarmos a obra máxima de Cesário Verde, “O Sentimento Dum Ocidental", na voz de Mário Viegas.  

Se é certo que devemos O Livro de Cesário Verde aos cuidados de edição póstuma do seu amigo Silva Pinto, não é menos certo que é a Fernando Pessoa que podemos agradecer o resgate do génio referencial do seu antecessor – e isto até desde antes do início das colaborações pessoanas com a imprensa portuguesa. Com efeito, logo em 1909, Pessoa inclui as poesias completas de Cesário Verde no plano editorial da sua malograda Empreza Íbis, conforme expresso no celebrado caderno de apontamentos “notebook nº 4” e outros documentos autógrafos, todos no espólio da Biblioteca Nacional de Portugal.

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Em 1912, no seu artigo “A Nova Poesia Portuguesa no seu aspecto psicológico”, para a revista A Águia (2ª série, nº 9, 11 e 12. Porto: Set., Nov. e Dez. 1912), Pessoa qualifica Cesário como um dos expoentes da “poesia objectiva” ou, se preferirmos, da objectividade poética. Quatro anos mais tarde, em 1916, Fernando Pessoa chamava já a Cesário Verde um “precursor inconsciente” do movimento Sensacionista português, dando-lhe honras de influenciador maior dos heterónimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e - especialmente - Álvaro de Campos.

 

A sedução da obra de Cesário Verde em Pessoa prende-se indubitavelmente com a sua capacidade, então absolutamente inovadora, de análise e compreensão da realidade através da visão, criando uma poesia do concreto, do vulgar e do quotidiano, ao mesmo tempo campestre e citadino. A geração modernista, projectada com a revista Orpheu, foi a primeira a compreender Cesário. E não só com Pessoa. No inquérito do jornal República, em 1914, questionado sobre qual seria “a mais bela obra criada nos últimos 30 anos”, Sá-Carneiro menciona, efusivo, “o livro do futurista Cesário Verde, ondulando de certo, intenso de Europa, ziguezagueante de esforço”. Fernando Pessoa chega a ir mais longe, ao declarar que “Houve em Portugal, no século XIX, três poetas, e três somente, a quem legitimamente compete a designação de mestres. São eles, por ordem de idades, Antero de Quental, Cesário Verde e Camilo Pessanha.

 

Na obra poética dos três heterónimos pessoanos, aliás, não faltam as referências de tributo a Cesário. É assim em Álvaro de Campos, não só em “Ode Marítima” como também em “Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades”:

 

E a mão de mistério que abafa o bulício,

E o cansaço de tudo em nós que nos corrompe

Para uma sensação exacta e precisa e activa da Vida!

Cada rua é um canal de uma Veneza de tédios

E que misterioso o fundo unânime das ruas,

Das ruas ao cair da noite, ó Cesário Verde, ó Mestre,

Ó do «Sentimento de um Ocidental»!

 

Alberto Caeiro refere-se a Cesário Verde como se a um antepassado literário, alguém capaz de exercer, no “Mestre” do universo pessoano, uma influência provocadora da inspiração. Talvez por isso, tão desassombradamente, Caeiro reserva, para Cesário, o poema III de “O Guardador de Rebanhos”:

 

Ao entardecer, debruçado pela janela,

E sabendo de soslaio que há campos em frente.

Leio até me arderem os olhos

O livro de Cesário Verde.

 

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês

Que andava preso em liberdade pela cidade.

Mas o modo como olhava para as casas,

E o modo como reparava nas ruas,

E a maneira como dava pelas coisas,

É o de quem olha para árvores,

E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando

E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

 

Por isso ele tinha aquela grande tristeza

Que ele nunca disse bem que tinha,

Mas andava na cidade como quem anda no campo

E triste como esmagar flores em livros

E pôr plantas em jarros...

 

E até Ricardo Reis, no prefácio que esboça para a sua edição das obras de Alberto Caeiro, escreve que essa “obra inteira é dedicada por desejo do próprio autor à memória de Cesário Verde”.

 

Como se não bastasse, também Bernardo Soares criva o seu Livro do Desassossego de referências a Cesário Verde.

 

"Amo, pelas tardes demoradas de Verão, o sossego da cidade baixa, e sobretudo aquele sossego que o contraste acentua na parte que o dia mergulha em mais bulício. A Rua do Arsenal, a Rua da Alfândega, o prolongamento das ruas tristes que se alastram para leste desde que a da Alfândega cessa, toda a linha separada dos cais quedos tudo isso me conforta de tristeza, se me insiro, por essas tardes, na solidão do seu conjunto. Vivo uma era anterior àquela em que vivo; gozo de sentir-me coevo de Cesário Verde, e tenho em mim, não outros versos como os dele, mas a substância igual à dos versos que foram dele. Por ali arrasto, até haver noite, uma sensação de vida parecida com a dessas ruas. De dia elas são cheias de um bulício que não quer dizer nada; de noite são cheias de uma falta de bulício que não quer dizer nada. Eu de dia sou nulo, e de noite sou eu. Não há diferença entre mim e as ruas para o lado da Alfândega, salvo elas serem ruas e eu ser alma, o que pode ser que nada valha, ante o que é a essência das coisas." 

 

"Vivemos pela acção, isto é, pela vontade. Aos que não sabemos querer — sejamos génios ou mendigos — irmana-nos a impotência. De que me serve citar-me génio se resulto ajudante de guarda-livros? Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta."

 

Além da claríssima influência que Cesário Verde veio a trazer também aos artistas da revista Presença, em vida de Pessoa e mesmo após a morte deste, a arqueologia a que a arca dos inéditos de Pessoa foi (e continua a ser) sujeita fez com que gerações sucessivas de investigadores pessoanos estendessem a sua curiosidade académica e editorial ao tão citado Cesário Verde, perpetuando o legado deste poeta. Joel Serrão e Helder Macedo são os que mais urge destacar (entre tantos outros de enorme valia), pela extensão e profundidade da obra de recuperação crítica e ensaística cesárica que produziram.

 

*Investigador, membro da equipa de Acolhimento da Casa Fernando Pessoa

 

publicado por CFP às 09:21
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Sobre a Feira do Livro de Poesia

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Com a realização da Feira do Livro de Poesia, a Casa Fernando Pessoa dá início a uma programação que valoriza a proximidade com a comunidade e que pretende abrir, dinamizar, articular o trabalho realizado dentro do espaço físico da CFP e aquele que pode ser feito, em colaboração com outros parceiros e estruturas, noutros espaços e circuitos. Este é um programa que fazemos em parceria com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique e com a conhecida Livraria Ler, que desde 1970 é lugar de passagem para os moradores do bairro.

 

Com uma programação a que chamamos “fora de casa”, é nosso objectivo aproximarmo-nos da comunidade – começando agora com o bairro de Campo de Ourique e privilegiando a relação de vizinhança –, trabalhando com ela, integrando-a em programas que têm por base o pensamento sobre a literatura, a poesia, a leitura, a palavra e, naturalmente, a obra pessoana de uma forma particular.

 

Ao mesmo tempo, esta saída de Casa é também uma “abertura de portas” que chama a comunidade a participar nos programas que acontecem dentro da CFP.

 

Para estes quatro dias e meio de Feira do Livro de Poesia, há 25 editoras representadas nos stands montados no Jardim da Parada e coordenados pela Livraria Ler. Chegámos ao contacto com editoras grandes e pequenas e tentámos assim o mais possível tornar acessíveis edições de poesia que nem sempre passam pelos circuitos de distribuição generalistas.

 

Essa pesquisa sobre a edição de poesia foi orientada pelo poeta Luís Filipe Castro Mendes, curador desta edição da Feira, autor muito atento às novas publicações e grande leitor de poesia.

 

Foi também em conjunto com Luís Filipe Castro Mendes que foram programadas as mesas-redondas que terão lugar no espaço da Casa Fernando Pessoa. O primeiro programa é exclusivamente dedicado a Pessoa: Ivo Castro apresenta a edição crítica que preparou de Poemas de Alberto Caeiro, para a colecção da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, acompanhado por Richard Zenith. O segundo programa é uma mesa-redonda que reúne editores com diferentes percursos para tratar o tema da edição de poesia em Portugal – representantes de pequenas e grandes editoras vão focar os mecanismos e circuitos por que passam os livros de poesia até chegarem às mãos dos leitores. No sábado, Dia Mundial da Poesia, a terceira mesa-redonda será dedicada à nova poesia: 5 poetas de uma mesma geração, moderados por um também poeta da mesma geração, falam-nos sobre o trabalho que fazem, se estão em construção novas poéticas, se se consideram um grupo.

 

O programa de rua desdobra-se em diferentes actividades e pretende chegar a diversos públicos. A relação com a comunidade é trabalhada no espaço dos cafés do Jardim da Parada: quinta, sexta e sábado há leituras de poesia nos cafés, com a intenção de surpreender os frequentadores habituais desses lugares – e de com eles partilhar o gosto pelo texto poético. Trabalham connosco nesta iniciativa a associação Campovivo – movimento cultural e social de Campo de Ourique, a Oficina de Teatro da Universidade Sénior de Campo de Ourique, e também os Artistas Unidos, com a coordenação de Jorge Silva Melo, Andreia Bento e Pedro Carraca.

 

É também fora de portas que se desenvolvem as actividades da equipa do Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa: uma oficina para crianças e famílias no sábado à tarde na Livraria Ler e no domingo de manhã uma “hora do conto” no coreto do Jardim da Parada – pelo prazer que é ouvir alguém que lê para nós e connosco.

 

O coreto recebe também no sábado à tarde a Escola de Jazz do Hot Clube – mais uma forma de celebrar em espaço público, de encontro e troca, o Dia Mundial da Poesia – a falta que nos faz e o lugar que tem na nossa visão de mundo a inquietação dos poetas: a poesia está na rua.

 

publicado por CFP às 20:25
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Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Feira do Livro de Poesia

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A partir de quarta-feira, dia 18 de Março, o Jardim da Parada e a Casa Fernando Pessoa acolhem a Feira do Livro de Poesia.

 

Toda a programação aqui.  

publicado por CFP às 11:34
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Segunda-feira, 9 de Março de 2015

Março é mês de poesia e de Orpheu.

Fernando Pessoa em 1914, meses antes da aventura Orpheu. Imagem da colecção privada de Manuela Nogueira.

Fernando Pessoa em 1914, meses antes de Orpheu. Imagem da colecção privada de Manuela Nogueira. © Casa Fernando Pessoa

 

Em Março, sublinhamos o trabalho do Serviço Educativo: a oficina Aqui viveu Pessoa, dia 7, sábado, às 10h30, e as Férias Escolares, de 23 a 27, segunda a sexta, das 10h00 às 13h00, convidam crianças e famílias a descobrir Fernando Pessoa. Em Março, continuamos a parceria que celebra os 8 séculos de Língua Portuguesa, Poetas de Mar e Mundo, dia 12, quinta, às 18h00, este mês com foco no português falado em Timor-Leste. E em Março voltamos a apoiar o ensino artístico: recebemos as audições do Conservatório de Lisboa, classes de Música de Câmara, sábado, dia 21, às 11h00.

 

E em Março, não podemos deixar de assinalar a passagem de um século sobre o nascimento do poeta etnólogo Ruy Cinatti sobre quem Jorge de Sena escreveu: [a sua poesia] foi das primeiras a reafirmar entre nós, pela dignidade da linguagem e pela severa independência da intenção, aquele superior sentido das exigências culturais da "aventura" poética que o grupo de Orpheu proclamara. Dia 30, segunda, às 19h00, o Professor Fernando Martinho (FLUL) e o Padre Peter Stilwell (e convidado a anunciar) relembram e repensam o trabalho do poeta.

 

Março é também mês da poesia e é, este ano em particular, mês de Orpheu.

 

De 18 a 22 de Março, quarta a domingo, no Jardim da Parada e na Casa Fernando Pessoa, a propósito do Dia Mundial da Poesia (21 de Março), leva-se a cabo mais uma edição da Feira do Livro de Poesia. O programa é variado e constituído por leituras, encontros com escritores e editores, sessões de autógrafos e oficinas de serviço educativo, fora e dentro de portas, espaço na rua para livros de pequenas e grandes editoras, poetas de diferentes gerações e geografias – em boa vizinhança.

Esta iniciativa é desenvolvida em parceria com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique e Livraria Ler. A curadoria é do poeta Luís Filipe Castro Mendes.

 

E, a partir de 25 de Março, iniciam-se as celebrações dos 100 anos da revista Orpheu. O programa, transversal e aberto, integra a exposição do artista plástico Pedro Proença, Os testamentos de Orpheu (inaugura quarta, dia 25 de Março, às 19h00); o Café Orpheu, a que serão chamados actores e textos que convocam o espírito do grupo de Orpheu e a visita temática Almada em Pessoa (ambos a partir de dia 28 de Março, sábado). Do programa faz ainda parte a exposição itinerante Nós, os de Orpheu, a circular no território nacional e internacional (rede Camões, IP) o espírito e a palavra de Orpheu.

 

Todos os detalhes em www.casafernandopessoa.pt

Esperamos ver-vos por cá. Até breve.

 

 

 

publicado por CFP às 11:40
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Informações e contactos

www.casafernandopessoa.pt

Morada:

Rua Coelho da Rocha, 16, Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

Tel: 21 391 32 70

@: info@casafernandopessoa.pt

Horário: Segunda a Sábado das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17h30)

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