Terça-feira, 30 de Junho de 2015

A ESCOLHA DE ANTONIO CARDIELLO A PARTIR DA BIBLIOTECA PARTICULAR DE FERNANDO PESSOA

A obra que Fernando Pessoa compulsivamente foi elaborando, no intercalar de dois séculos, com o seu polifacetado e visionário talento criador, parece-se com uma espécie de enorme delta literário onde se sedimentaram os mais diversos materiais procedentes de diferentes tradições, doutrinas e disciplinas do saber universal, e para cuja estratificação residual não terá deixado de contribuir o seu fervoroso "vício" pela leitura.

 

No seu ensaio Books, Ralph Waldo Emerson descreve uma biblioteca como um lugar onde o leitor se encontra rodeado de centenas de queridos amigos encarcerados, que só encontrarão a liberdade quando com eles se iniciar uma conversa. Fernando Pessoa, que teve uma profunda e prolongada relação com os livros da sua biblioteca, chegou a libertar muitos desses amigos, desvendando preciosíssimos laços entre as leituras que cultivava e a literatura que veio a produzir. Foi nomeadamente a partir da sua vasta memória de lei­tor dialogante, que Pessoa, a 29 de Novembro de 1935, no Hospital de S. Luís dos Franceses, redigiu as suas últimas palavras («I know not what to-morrow will bring»). Lidas, durante décadas, segundo registos hermenêuticos ocultistas, são, na verdade, eco evidente de um epigrama de Palladas de Alexandria («To-day let me live well; none knows what may be to-morrow») pu­blicado no primeiro volume da Greek Anthology (1916), e também conservado nas prateleiras de Pessoa até ao fim da sua vida. Este livro, a meu ver, é um dos mais decisivos para o poeta, entre os mais de 1300 títulos digitalizados a partir de Abril de 2008. Publicado em 4 volumes bilingues pelos editores William Heinemann e G. P. Putman’s Sons, fornece-nos uma preciosa noção do vasto conhecimento que Pessoa tinha da poesia epigramática da cultura clássica grega e surpreende-nos pela influência que alguns dos seus maiores representantes tiveram sobre ele. É o caso do referido Palladas de Alexandria que, segundo muitos estudiosos, é considerado o último poeta grego defensor do paganismo num mundo já profundamente cristianizado. 

 

*A biblioteca particular de Fernando Pessoa está disponível online em www.casafernandopessoa.pt . A fechar o mês de aniversário, desafiámos Antonio Cardiello a partilhar connosco a sua escolha dentre os 1300 títulos digitalizados.

publicado por CFP às 15:48
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

SERVIÇO EDUCATIVO DA CFP - OFICINAS DE VERÃO!

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O Verão do Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa tem brincadeiras no jardim, ilustração e cinema! Em Julho e Agosto as férias são muito mais divertidas com as quatro propostas que fazemos:


Trepadeiras de Papel*, de 20 a 31 de Julho, de segunda a sexta, das 10h00 às 17h00, no Jardim da Estrela (crianças dos 6 aos 12 anos).


Na cidade de Pessoa, um passeio por Lisboa, no dia 4 de Julho, sábado, às 10h30, para crianças dos 6 aos 11 anos (acompanhadas por adultos).

 

Maruxa, Maryna, María, uma oficina de Mafalda Milhões, para pais e filhos, no dia 18 de Julho, sábado, às 16h00.

 

e, finalmente,


O meu amigo imaginário foi filmado, um projecto Zero em Comportamento, de 24 a 28 de Agosto, de segunda a sexta, das 10h00 às 17h00 (crianças dos 5 aos 12 anos).

 

Mais informações e marcações: servicoeducativo@casafernandopessoa.pt | +351 213 913 270


* este programa está disponível para escolas entre 29 de Junho e 17 de Julho

publicado por CFP às 08:30
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Terça-feira, 23 de Junho de 2015

CAFÉ ORPHEU - TERCEIRO TURNO

A fechar o mês de Junho, regressamos a Café Orpheu para um Terceiro Turno: na noite de dia 27 de Junho, em versão compacta e em conjunto, assinalamos cem anos sobre o lançamento da Orpheu 2, o número derradeiro. Até chegar a meia-noite.

 

Com Andresa Soares, Filipe Pinto, Lígia Soares e Miguel Castro Caldas,  Sara Graça e Tiago Martins, Os Possessos e Sílvia Real, Sérgio Pelágio e Mariana Ramos.Todos os detalhes aqui.

 

E esta semana, quinta, dia 25 às 19h00, voltam Os Espaços em Volta, desta feita, é a centenária obra de Kafka, A Metamorfose, que dá o mote à conversa. Com Inês Fonseca Santos e Filipa Leal  (coordenação e moderação) e António Vieira, Miguel Bonneville e Nuno Amado (convidados).

 

Sábado, dia 27 de Junho, às 15h00, é tempo de mais uma visita temática Amor+Pessoa, o desafio a conhecer  Pessoa através do amor: “o amor romântico, o amor à pátria, o amor à língua portuguesa, o amor à família ou até o amor carnal, Pessoa amou, como de resto amaram todos os seus eus." (Marcações: 21 391 3270/ visitas@casafernandopessoa.pt )

 

Todos os detalhes de programação em www.casafernandopessoa.pt

 

Vemo-nos por cá, até breve.

publicado por CFP às 18:13
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Sábado, 20 de Junho de 2015

TRIPADVISOR - CERTIFICADO DE EXCELÊNCIA

A Casa Fernando Pessoa foi reconhecida com o prémio Certificado de Excelência pelo site TripAdvisor.

 

A todos os visitantes que deram o seu retorno sobre a experiência da visita à Casa Fernando Pessoa, o nosso muito obrigado.

 

Os equipamentos EGEAC, Museu Marioneta, Museu do Fado, Castelo de São Jorge e Cinema São Jorge também foram reconhecidos com este prémio, a cada um: parabéns.

 

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publicado por CFP às 19:55
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

"CHUVA OBLÍQUA" - UM DESAFIO PARA ARQUITECTOS E ESTUDANTES DE ARQUITECTURA

 

A Casa Fernando Pessoa (CFP) associa-se à edição 2015 do Festival Silêncio, o festival que é “a celebração da palavra enquanto unidade criativa, veículo de pensamento e da criação (…), a festa da palavra dita, escrita, encenada, cantada, musicada, filmada e ilustrada”.

 

A proposta é a de um percurso, uma reflexão de dois dias sobre a nova poesia ou as novas poéticas contemporâneas. O percurso Como uma partitura propõe vozes e iniciativas diversas, formas simultâneas de leitura, interpretação e descodificação.

 

No âmbito do Festival Silêncio a CFP associa-se também à Ordem dos Arquitectos com um desafio que dará lugar a uma conversa e uma exposição. O desafio é o de transformar o poema Chuva Oblíqua, publicado no Orpheu 2, em objecto tridimensional.

 

Os detalhes em: http://oasrs.org/web/oasrs/-/desafio-a-estudantes-e-arquitectos-a-partir-de-poema-de-pessoa

 

Sobre o Festival Silêncio: www.festivalsilencio.com

publicado por CFP às 18:15
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

ESTA SEMANA: HOJE, PESSOA E ESPANHA, SÁBADO, VISITA TEMÁTICA

Hoje, quarta dia 17 de Junho, às 19h00, recebemos, em colaboração com o Instituto Cervantes, Antonio Sáez Delgado, escritor, professor e tradutor que procura decifrar o lugar e o papel de Fernando Pessoa entre os seus camaradas vanguardistas espanhóis e interpretar o significado e os ecos da sua obra no país vizinho.


Nesta conversa, que atravessa todo o trabalho realizado por Sáez Delgado sobre a relação de Pessoa com Espanha, o ponto de partida – que é, ao mesmo tempo, o de chegada - será o seu mais recente livro, acabado de publicar: Pessoa Y España (editora Pre-Textos, Valencia, 2015). Com Manuela Parreira da Silva, Luis María Marina e Javier Rioyo (Director do Instituto Cervantes de Lisboa - moderação).


Sábado, dia 20 de Junho, às 11h30, regressa a visita temática Amor+Pessoa, o desafio a conhecer  Pessoa através do amor: “o amor romântico, o amor à pátria, o amor à língua portuguesa, o amor à família ou até o amor carnal, Pessoa amou, como de resto amaram todos os seus eus." (Marcações: 21 391 3270/ visitas@casafernandopessoa.pt )


Todos os detalhes de programação em www.casafernandopessoa.pt
Vemo-nos por cá, até breve.

publicado por CFP às 12:11
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Terça-feira, 16 de Junho de 2015

AMOR + PESSOA, uma visita temática para sentir, por Ricardo Belo de Morais *

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Traduzido em mais de 40 línguas – e considerado, por isso, o mais universal dos escritores portugueses – Fernando Pessoa é, hoje em dia, uma referência obrigatória da literatura mundial. O seu legado, em poesia e prosa, tem mostrado um Pessoa “plural como o universo” a gerações sucessivas de leitores. Há, com efeito, na obra de Pessoa e todos os seus outros eus, suficientes bandeiras que se agitam, ainda hoje, aos ventos ou brisas de um palco de vida crivado de filosofia, na procura de respostas para os sentidos múltiplos do existir. No meio de tamanha tempestade de inquietude existencial, não admira que só muito recentemente leitores e investigadores tenham “acordado” para o Pessoa-homem, feito de carne e nervo, coração e desejos.

 

A “pedestalização” de Fernando Pessoa, visto ao longo de décadas como o 'supra-Camões' cumprido, por vezes até a caminho da divinização, impediu-nos ou desencorajou-nos de o ver como alguém que – como nós – procurou respostas também no coração. O Fernando Pessoa metafísico, sombrio, transeunte de múltiplas vidas, cada uma buscando, à sua maneira, “sentir tudo de todas as maneiras”, sentiu também o Amor. Fosse ele o amor romântico, o amor à pátria, o amor à língua portuguesa, o amor àfamília ou até o amor carnal, Pessoa amou, como de resto amaram todos os seus eus. E (d)escreveu-o.

 

Por detrás do fingimento poético que foi sua ferramenta criativa, o “falso virgem” teceu amor nas entrelinhas de grossa fatia da sua escrita. E se é verdade que quase sempre cerebralizou esse amor, dele se distanciando para melhor o interpretar, não é menos verdade que nos deixou pistas evidentes para a decifração dessa escolha. Quando Fernando Pessoa nos confessa que “o amor, quando se revela, não se sabe revelar”, diz-nos também que encontra qualquer coisa de amor até nas pequenas coisas da vida, ouvindo como o amor mudo excede “o rigor que o raciocínio dá a tudo”. O Pessoa desencantado do coração “como um balde despejado” foi o mesmo das cartas de amor religiosamente guardadas na sua célebre arca, mesmo que “ridículas”. O Pessoa lírico que admitiu que “podemos morrer se apenas amámos” reforçou sobejamente esta evidência, quando se atreveu até a admitir que “amar é entregar-se”. O Pessoa pragmático que não queria ser “de companhia” descuidava-se a ponto de dizer que já não sabia andar só pelos caminhos, sem a companhia do Amor.

 

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BN Esp. E3/67-63

 

Mais ainda, o Poeta-Homem que sentia (e amava?) com a imaginação deixou-nos, em testamento, esse convite irrecusável: “Sentir? Sinta quem lê!”. É esse o objectivo maior de AMOR + PESSOA, a visita temática: dar-nos a sentir o Amor, na obra múltipla do escritor que também o cantou.

 

Ler Fernando Pessoa é amá-lo. E é sermos surpreendidos, a cada verso, a cada frase, pelo tanto de emoção que ele nos deu, dá e dará. É assim mesmo que é dado a conhecer nesta visita temática. E porque esta não vai ser, de todo, uma visita comum, quem se inscrever pode desde já contar com a companhia da metafísica de comer chocolates, as surpresas únicas da poesia e até o teatro da correspondência amorosa.

 

Ricardo Belo de Morais

* Investigador, membro da equipa de Acolhimento da Casa Fernando Pessoa 

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Todos os detalhes aqui.

publicado por CFP às 11:30
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Sábado, 13 de Junho de 2015

MÊS PARA PESSOA: OS LIVROS QUE ESCOLHEMOS III

Editar Pessoa de Ivo Castro

A escolha de Teresa Monteiro, na CFP desde 2009*

 

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Escolher um? Um único título? Foi a pergunta que me passou pela cabeça quando recebi o e-mail da Cecília. O mundo pessoano e dos pessoanos, ou pelo menos, dos seus admiradores, é muito vasto e rico. As estantes que abarcam a bibliografia passiva, exposta na biblioteca, são uma tentação e as novidades do escaparate fazem-me lembrar que as 24h do dia são curtas de mais para ler tudo…e de todas as maneiras.

 

Planos de leitura já fiz muitos e acho que irei sempre fazer…

 

Agora, fui olhar a estante com estes óculos que a Cecília me colocou e, quase sem me aperceber, fui escolhida pelo Ivo, assim, até com certa intimidade.

 

Sim, é a minha escolha! Lembro-me da primeira vez que li Editar Pessoa, foi um mundo que se abriu. Assumindo a impertinência da comparação, foi quase a mesma surpresa que teve o professor Ivo Castro quando Maria Aliete Galhoz, prima inter pares, lhe perguntou se já tinha visto os rascunhos do Guardador de Rebanhos.

 

Gosto da sobriedade da edição, gosto dos textos elucidativos. Ensinam e esclarecem-me.

 

Polémicas à parte, que o mundo pessoano está cheio delas, ler este livro é lidar com hipóteses de trabalhar Pessoa e o seu espólio. É acompanhar a história desses trabalhos, é acompanhar as perguntas formuladas e as respostas propostas. É uma porta para entrar no mundo pessoano.

 

Aqui deixo a minha sugestão de leitura para quem a quiser desfrutar!

 

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*A Casa Fernando Pessoa, casa habitada pelo autor nos últimos 15 anos da sua vida, tem ao centro uma biblioteca temática, especializada em Fernando Pessoa e em poesia. Em mês de aniversário, quem aí trabalha diariamente partilha connosco as suas escolhas.

publicado por CFP às 15:20
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MÊS PARA PESSOA: OS LIVROS QUE ESCOLHEMOS II

Fernando Pessoa, Cartas Astrológicas: Como a astrologia foi determinante na vida e na obra de um dos maiores escritores portugueses de Paulo Cardoso

A escolha de José Correia, na CFP desde 2009*

 

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Quando se aproxima mais um aniversário de Fernando Pessoa, o 127.º, e aproveitando a celebração do centenário do lançamento da revista Orpheu, revisitar ou conhecer a sua obra é sempre fonte de descoberta e encantamento.

 

O livro que recomendo vivamente a todos os leitores, até porque se trata de uma das facetas menos conhecidas do génio de Pessoa, intitula-se Fernando Pessoa, Cartas Astrológicas: Como a astrologia foi determinante na vida e na obra de um dos maiores escritores portugueses, uma edição do astrólogo e ensaísta Paulo Cardoso, com a colaboração de Jerónimo Pizarro, catedrático nas universidades de Lisboa e de Los Andes (Colômbia), publicado pela Bertrand Editora, em 2011.

 

Podendo não ser consensual, ao ponto de se poder considerar a Astrologia como um certo diletantismo do poeta, é facilmente verificável que a mesma desempenhou um papel de grande importância na vida pessoal e literária de Fernando Pessoa.

 

Da longa e exaustiva pesquisa que realizou no espólio do poeta, que se encontra na Biblioteca Nacional de Portugal, Paulo Cardoso encontrou cerca de 2500 manuscritos e dactiloscritos relacionados com todo o tipo de textos astrológicos, incluindo centenas de horóscopos ou mapas do céu.

 

Este livro reúne 34 das “mais reveladoras cartas astrológicas erigidas por Pessoa ao longo da sua vida”. Desde o seu próprio mapa do céu, passando pelos dos seus três heterónimos (Caeiro, Campos e Reis), por alguns dos seus amigos e conhecidos (Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Raul Leal e outros), e por figuras históricas de diferentes épocas (Robespierre, D. Sebastião, Lord Byron, Sidónio Pais, Oliveira Salazar, Mussolini, Chopin, Victor Hugo, Shakespeare, Aleister Crowley, entre outros).

 

Pessoa lidou com a Astrologia durante quase toda a sua vida, os seus primeiros cálculos datam de 1908, quando tinha 20 anos de idade.

 

Paulo Cardoso assinala que “a astrologia fez parte do quotidiano do escritor que lidava com ela de manhã, à tarde e pela noite dentro”.

 

Em 1915 Fernando Pessoa criou um astrólogo - Raphael Baldaya, tendo inclusivamente estabelecido uma tabela de honorários que variavam entre os 500, 2500 e os 5000 réis, de acordo com a complexidade da carta astrológica que lhe fosse pedida pelos interessados.

 

No espólio de Pessoa foi ainda encontrado um “esboço contemporâneo destinado a um «Tratado de Astrologia»” (Pizarro, p.21).

 

O poeta Mário de Sá-Carneiro chegou a referir numa carta enviada a Pessoa, datada de 24 de Dezembro de 1915, que "(…) A sua incarnação em Rafael Baldaya, astrónomo de longas barbas, é puramente de morrer a rir. (…)".

 

Para Portugal, Pessoa profetizou o ressurgimento do seu esplendor, no 5.º Império, no qual a língua, a cultura e sobretudo a literatura portuguesa dominariam o resto da Europa, claro está, com a sua liderança. Segundo Paulo Cardoso, foram encontrados no espólio do poeta quatro horóscopos feitos por Pessoa de Napoleão Bonaparte, o Imperador de França.

 

Foi através da Astrologia que Pessoa conheceu Aleister Crowley, mundialmente conhecido por Mago Negro e por ser o pior homem de Inglaterra. Em 1928, o poeta fizera e enviara ao editor de Crowley um horóscopo juntamente com uma carta, na qual referia que havia um lapso na hora de nascimento do Mago. Mais tarde, em Setembro de 1930, deu-se o encontro de Pessoa com Crowley, acompanhado da sua 'Dama Escarlate' Hanni Jaeger, em Lisboa. Esse encontro resultou num dos momentos mais emocionantes da vida de Pessoa. De tal maneira ficou fascinado com Hanni Jaeger que, dias depois, escreveu o seu poema mais erótico Dá a surpresa de Ser e ainda erigiu o horóscopo da 'Dama Escarlate'. As peripécias desse encontro místico serviram também para que Pessoa utilizasse a sua refinada ironia aquando do suposto suicídio do Mago na Boca do Inferno, ao prestar falsas declarações à polícia.

 

O mapa do céu de Hanni Jaeger não está contido nesta obra, mas fez parte da exposição que esteve patente ao público de 25 de Fevereiro a 30 de Junho de 2013, na sala de exposições da CFP, que incluiu a recriação do quarto de Fernando Pessoa com o heterónimo-astrólogo Raphael Baldaya, montada por Paulo Cardoso, em colaboração com o Núcleo de Eventos e Logística da CFP (Inês Cunha e Gabriela Maldonado).

 

"No horóscopo que fez para o seu amigo Raul Leal, Pessoa aponta um aspecto maléfico para a longínqua data de 1964 (lembremo-nos de que Pessoa faleceu em 1935). Aliás, é a última data que aparece mencionada no estudo astrológico feito pelo escritor. Ora, Leal veio a morrer precisamente no ano de 1964!" (Paulo Cardoso)

 

Esta magnífica obra encontra-se disponível para leitura na biblioteca da CFP, secção da pessoana passiva.

 

Venha visitar-nos e aproveite para dar uma vista de olhos em alguns dos horóscopos de Pessoa que se encontram expostos no corredor exterior de acesso à cafetaria da CFP Flagrante Delitro.

 

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*A Casa Fernando Pessoa, casa habitada pelo autor nos últimos 15 anos da sua vida, tem ao centro uma biblioteca temática, especializada em Fernando Pessoa e em poesia. Em mês de aniversário, quem aí trabalha diariamente partilha connosco as suas escolhas.

 

publicado por CFP às 11:30
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

MÊS PARA PESSOA: OS LIVROS QUE ESCOLHEMOS I

À mesa com Pessoa de Luís Machado

A escolha de Ana Santos, na CFP desde 1997* 

 

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A época estival que se avizinha, com calor ou temperaturas mais amenas, sempre convida para uma saída de casa, a um passeio, ou à leitura, de preferência num ambiente acolhedor e refrescante. É com este cenário de fundo que proponho uma visita à Biblioteca da Casa Fernando Pessoa, para reler ou conhecer uma receita saudável de literatura e não só, através do livro: À Mesa com Fernando Pessoa, de Luís Machado, com um prefácio de Teresa Rita Lopes - sendo apaixonada por culinária e sendo este o pretexto para muitos momentos de festa e confraternização, este é para mim um livro muito especial.

 

Luís Machado é conhecido por ter divulgado grandes nomes da poesia e, como escritor, por ter publicado, entre outras obras, Mistério e Mito de um Grande Amor, A última Conversa – Agostinho da Silva e Conversas à Quinta-Feira.

 

Neste livro, ao autor interessou sobretudo redescobrir a obra de um dos poetas que sempre amou e sobretudo por achar, ao contrário de outros, que Fernando Pessoa gostava de comer e não apenas de beber.

 

No seu delicioso prefácio, Teresa Rita Lopes sublinha que “Imaginar Pessoa a almoçar sentado, e não ao balcão, nessa Baixa do seu tempo, ainda não prostituída aos americanos hábitos do fast-food – é consolador.”

 

À Mesa com Fernando Pessoa é um livro de gastronomia, em que se misturam as receitas culinárias selecionadas por Luís Machado, da cozinha tradicional portuguesa da época do poeta, com referências a pratos e comidas que se encontram na obra pessoana.

 

É uma obra com uma escrita simples, que para além da culinária, nos fala da dimensão humana de Pessoa. Os seus hábitos e quotidiano, que se revelam nas suas deambulações pelas ruas, praças e recantos da sua Lisboa: as casas onde viveu, os escritórios onde trabalhou, e os cafés, tascas e restaurantes, onde em animadas tertúlias com amigos, familiares e conhecidos, degustou alguns dos seus pratos preferidos: “Depois os amigos, bons rapazes, bons rapazes, tão agradável estar falando com eles, almoçar com eles, jantar com eles (…). Oh, Lisboa, meu lar! …O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente (…).Lisboa com suas casas De várias cores”(…). …E as metafísicas perdidas nos cantos dos cafés(…). …Almocei e jantei bem (…)”

 

Trata-se de um livro encantador e divertido, que narra alguns episódios curiosos da 'arte de bem comer' de Pessoa, entre os quais um que demonstra algum desalento do poeta. Segundo Alfredo Margarido, num artigo publicado no Diário Popular, em 1986: “Pessoa decepciona-se, quando do regresso a Portugal, com o caril servido nos restaurantes lisboetas devido à ausência de coco e à suavidade do picante”.

 

E como não podia deixar de ser, revela algumas das iguarias preferidas de Pessoa, das quais servimos estas: melão com presunto, sopa de camarão, bolinhos de bacalhau e leite creme.

 

O inesperado final surge com o menu que Luís Machado escolheu caso Fernando Pessoa fosse jantar a sua casa, talvez acompanhado pelo Eng.º Álvaro de Campos e pelo Dr. Ricardo Reis.

 

E se o leitor pudesse convidar Fernando Pessoa para um jantar? O que serviria?

 

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*A Casa Fernando Pessoa, casa habitada pelo autor nos últimos 15 anos da sua vida, tem ao centro uma biblioteca temática, especializada em Fernando Pessoa e em poesia. Em mês de aniversário, quem aí trabalha diariamente partilha connosco as suas escolhas.

 

publicado por CFP às 17:00
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Informações e contactos

www.casafernandopessoa.pt

Morada:

Rua Coelho da Rocha, 16, Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

Tel: 21 391 32 70

@: info@casafernandopessoa.pt

Horário: Segunda a Sábado das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17h30)

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