Quinta-feira, 28 de Maio de 2015

AO PARQUE!

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 A partir de hoje e até dia 14 de Junho, a Casa Fernando Pessoa estará presente na Feira do Livro de Lisboa.

 

Entre os já habituais e esperados pavilhões que todos os anos chamam a cidade para leitura, estará desta vez a Casa Fernando Pessoa. Em colaboração com a APEL e com as BLX (Bibliotecas Municipais de Lisboa), a CFP preparou um programa variado para integrar este encontro que, durante duas semanas e meia, reúne no Parque Eduardo VII todos os que gostam de passear entre livros.

 

A Feira do Livro de Lisboa é o mais amplo acontecimento dedicado ao livro e à leitura da cidade de Lisboa e ao longo de 85 edições tem convidado os leitores a partilhar o gosto pela literatura. A Casa Fernando Pessoa toma agora parte nesta festa e participa na celebração.

 

Assim, pelos livros, pelos escritores, pelos editores, pelos livreiros, pelos tradutores, pelas capas, pelas ideias, pela palavra, pela dúvida, pelo poema: ao Parque!

 

Na Foto: Fernando Pessoa no Jardim Botânico com Signa, filha de Armando Teixeira Rebelo, amigo do Curso Superior de Letras, e o marido. © Casa Fernando Pessoa, colecção privada de Manuela Nogueira. 

publicado por CFP às 21:08
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Terça-feira, 19 de Maio de 2015

"Mário de Sá-Carneiro e a Redenção pelas Ondas Hertzianas" por Ricardo Vasconcelos

Numa carta enviada a Fernando Pessoa, datada de 31 de agosto de 1915, e escrita por conseguinte já após o terramoto lisboeta de Orpheu, e do seu derradeiro regresso a Paris, Sá-Carneiro evidencia uma vez mais a sua adesão aos temas e à linguagem da modernidade e das vanguardas literárias e artísticas daquela cidade de antes e durante a guerra. Uma adesão que, como se perceberá, vai até à alma. Isto é demonstrado num texto a que o autor aparenta atribuir menos importância, chamando-lhe um ‘“mimoso” poema’ e remetendo-o para o post-scriptum da carta. Trata-se contudo de uma formulação que sintetiza de forma excelente o papel da cidade de Paris como instrumento de fragmentação e disseminação da identidade do indivíduo moderno. Neste caso, essa dispersão parte do mais importante símbolo da modernidade parisiense desta época – a Torre Eiffel – e ao mesmo tempo vai ilustrar a possibilidade de resolver o estatuto semiperiférico próprio do indivíduo português e do falante da língua portuguesa em geral, que é documentado noutros textos do autor:

 

vasconcelos_msac_1.png

 Fig. 9. BNP/E3, 1156-69ar (pormenor)

 

A minh’ Alma fugiu pela Torre Eiffel acima,

­– A verdade é esta, não nos criemos mais ilusões –

Fugiu, mas foi apanhada pela antena da T.S.F.

Que a transmitiu pelo infinito em ondas hertzianas...

 

(Em todo o caso que belo fim para a minha Alma!...]

 

Paris, agosto 1915

 

 

O poema de Sá-Carneiro explora o imaginário da T.S.F., a telegrafia sem fios, associada à Torre Eiffel, a partir da qual se disseminavam, neste período, sinais e mensagens.

 

vasconcelos_msac_2.png

 

Mais ainda, este imaginário do poema é partilhado com uma secção do caligrama “Lettre-Océan”, de Guillaume Apollinaire, publicado pela primeira vez na revista Soirées de paris, em junho de 1914.

 

Guillaume Apollinaire, “Lettre-Océan”, 1914.

vasconcelos_msac_3.png

 

Como foi já notado por Marjorie Perloff no seu estudo The Futurist Moment – Avant-Garde, Avant-Guerre, and the Language of Rupture, no caligrama a Torre Eiffel é indicada “pela sua localização (‘Sur la rive gauche devant le pont d’Iena’) e pela sua altura (‘Haute de 300 mètres’), e torna-se o centro a partir de onde irradiam linhas de palavras, como ondas de rádio que partem em todas as direções dos transmissores da Torre” (186). Como sugerem Greet e Lockerbie (381) a respeito deste poema de Apollinaire, a posição central da Torre além de tudo define o “ponto focal do universo” (381). Reportando-se ao uso expressivo da Torre Eiffel nos discursos artísticos da época, a ensaísta chega mesmo a falar de duas datas de nascimento para esta Torre: “a primeira, como monumento que prestava tributo à indústria, a peça-central da Exposição Universal de Paris de 1889, como emblema da nova estética futurista” (200). Quanto à segunda data, note-se que aquando da sua construção, uma vaga de artistas mostrou o seu menor apreço pelo edifício, em parte rejeitando a sua dimensão mais utilitária. Os artistas tentaram assim resolver o problema que consistia no desejo do esteta de impedir que a indústria ocupasse o espaço dedicado à arte e procuraram “derrubar as barreiras entre alta e baixa arte, entre, por assim dizer, as torres de marfim e Eiffel” (201). O simbolismo da torre para os artistas “avant-guerre” derivava principalmente da tensão entre as propostas públicas para o seu uso, propostas estas que eram eminentemente técnicas e utilitárias, e o facto de que estes mesmos usos se tornavam obsoletos rapidamente: “De facto, foi a própria dimensão vazia do significante [isto é, a ausência de uma utilidade evidente para a torre, desde a sua origem] que desafiou a imaginação Futurista a inventar metáforas extravagantes para a mesma” (Perloff, 205).

 

Na sua adesão à modernidade parisiense, também Sá-Carneiro se junta a este espírito e esta práxis dos artistas avant-guerre. Para Sá-Carneiro a Torre converte-se na metáfora mais radical da sua fragmentação e, de facto, da disseminação generalizada do sujeito moderno, ao mesmo tempo que permite a suspensão de um estatuto semiperiférico, no caso do indivíduo lusófono, ao ir resolvendo a tensão entre centro e periferia, já que, de acordo com o poema de Sá-Carneiro, estar no centro (ou neste centro) mais do que nunca se torna a condição para se alcançar outras regiões. Dois anos após o primeiro envio do sinal de rádio via T.S.F. a partir da Torre Eiffel, que data de 1913, e de facto um ano após a publicação do caligrama de Apollinaire já citado, Sá-Carneiro convoca este uso mais utilitário da Torre Eiffel para os seus próprios fins poéticos. O insight é único já que dá conta da completo entrelaçamento ou mesmo da fusão do indivíduo com a comunicação global de cariz simultâneo – uns bons 100 anos de todos nós nos apercebermos da colonização contemporânea do nosso inconsciente pela Internet, via smartphone.

 

Note-se ainda que já em “Manucure” o poeta lembrara que

vasconcelos_msac_4.png

e que em carta a Pessoa de 10 de março de 1913 Sá-Carneiro mostrara o seu fascínio em relação à possibilidade de o cubismo representar, entre outras imagens e conceitos, uma “deslocação do ar”.

Tudo isto é altamente influenciado diretamente pela presença do autor em Paris, a sua crescente familiaridade com a T.S.F. e a exposição à ansiedade social e artística em relação ao uso e ao simbolismo da Torre Eiffel, ansiedade que partilha com os artistas seus contemporâneos. Por outro lado, “A Minh’ Alma Fugiu pela Torre Eiffel acima” salienta a fragmentação do sujeito associado à velocidade dos tempos modernos, já que esta Alma escapa torre acima sem que ninguém a possa deter, e encontra forma de se disseminar rapidamente. Tal como em outros poemas de Mário de Sá-Carneiro, a imagem permite falar de um tipo de ascensão, mas desta vez Sá-Carneiro quebra, pelo menos aparentemente, com o paradigma de uma queda subsequente. A fuga desta Alma não é seguida de uma queda do topo da Torre, mas antes pela sua expansão universal, e é talvez a este facto que se deve o seu “belo fim” mencionado no poema.

 

Em última análise, focando-se nos aspectos técnicos associados à transmissão TSF, a poesia de Sá-Carneiro encontra na Torre Eiffel o instrumento ideal para elogiar a modernidade e ao mesmo tempo redimir uma tensão entre centro e periferia. Aqui a centralidade do sujeito torna-se a sua condição para uma forma de ubiquidade, ao mesmo tempo em que impossibilita qualquer queda. Na encruzilhada de discursos modernistas e vanguardistas, a identidade fragmentada que encontra o seu locus ideal na moderna capital francesa exponencia em “A Minh’Alma Fugiu pela Torre Eiffel acima” a solução ideal para a sua condição, já que esta dispersão representada no poema não implica a sua perda ou extinção, mas antes uma moderna redenção na ocupação do infinito pele rede comunicativa, progredindo pelas ondas hertzianas.

 

 

O presente texto é adaptado do seguinte ensaio:

Vasconcelos, Ricardo (2013). “Painting the Nails with a Parisian Polish – Modern Dissemination and Central Redemption in the Poetry of Mário de Sá-Carneiro,” in Pessoa Plural – A Journal of Fernando Pessoa Studies, n.o 4, December, pp. 131-153.

 

Outras obras citadas:

Perloff, Marjorie (1986). The Futurist Moment – Avant-Garde, Avant-Guerre, and the Language of Rupture. Chicago: The University of Chicago Press.

Greet, Anne Hyde, and S. I. Lockerbie (1980). “Commentary,” in Calligrams – Poems of Peace and War, by Guillaume Apollinaire. Berkeley: University of California Press, pp. 347-507.

 

 

publicado por CFP às 11:58
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125 ANOS DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

cropped-Mario_Sa_Carneiro-dr1.jpgPorque há em nós, por mais que consigamos

Ser nós mesmos a sós sem nostalgia,

Um desejo de termos companhia —

O amigo como esse que a falar amamos.

 

Fernando Pessoa, 1934

 

 

publicado por CFP às 10:09
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2015

AMOR+ PESSOA: NOVA VISITA TEMÁTICA NA CFP

Com vontade de guiar os visitantes por lugares e tópicos alternativos – dentro de portas, viajando porém ao encontro dos interesses e curiosidades dos mais intrigados, a Casa Fernando Pessoa propõe, aos Sábados, um conjunto diferenciado de visitas temáticas.

 

Uma visita-experiência, aproximação aprofundada a um determinado tema, uma certa vertente, uma escolhida linha de leitura para chegar ao universo pessoano ou a regiões de vizinhança. E sobretudo a vontade de abrir a porta para novas linguagens, interpretações outras.

 

Amor+Pessoa encoraja os visitantes a conhecer Fernando Pessoa e o espaço, lugar e importância do Amor nas suas múltiplas dimensões e vidas: “o amor romântico, o amor à pátria, o amor à língua portuguesa, o amor à família ou até o amor carnal, Pessoa amou, como de resto amaram todos os seus eus. E (d)escreveu-o. Por detrás do fingimento poético que foi sua ferramenta criativa, o “falso virgem” teceu amor nas entrelinhas de grossa fatia da sua escrita. E se é verdade que quase sempre cerebralizou esse amor, dele se distanciando para melhor o interpretar, não é menos verdade que nos deixou pistas evidentes para a decifração dessa escolha.”

 

A partir do próximo sábado dia 16 de Maio, seguem-se essas pistas em Amor+Pessoa, a nova visita temática da CFP, com a orientação e a assinatura de Ricardo Belo de Morais (Equipa de Museologia e Património da CFP).

 

Detalhes aqui.

 

publicado por CFP às 14:41
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

ORPHEU 100 ANOS - EXPOSIÇÃO PARA CIRCULAÇÃO

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Está disponível, para circulação nacional e internacional, a exposição Nós, os de Orpheu.  Desenvolvida em parceria com o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, enquadra-se nas celebrações dos 100 anos da revista "extinta e inextinguível" Orpheu.

 

Desenhada de raiz para circular em vários contextos, escolas, bibliotecas, centros de língua, esta exposição procurou um ângulo que permitisse apresentar a revista Orpheu e o grupo que a criou a partir de dentro, quer isto dizer: a partir dos contributos dos seus protagonistas, tanto no tempo histórico da revista, como posteriormente e a partir das memórias que estes autores e artistas nos legaram.

 

Nas palavras da comissão científica, Antonio Cardiello, Jerónimo Pizarro, Sílvia Laureano Costa:

 

"Há 100 anos um grupo de jovens publicou uma revista: Orpheu. Saíram apenas dois números. Foi o bastante para lançar a polémica e agitar o cenário artístico português, adormecido nas linhas estéticas novecentistas. Orpheu, revista e geração, “foi o primeiro grito moderno que se deu em Portugal”, na expressão de José de Almada Negreiros.    A exposição Nós, os de Orpheu – título parafraseado do texto de Fernando Pessoa na revista Sudoeste 3, em 1935 –, traça o percurso da revista e dos seus protagonistas, recorrendo, muitas vezes, às próprias palavras dos “órficos”.   Através da reprodução de diversas obras e documentos (fotografias, recortes de imprensa, correspondência, manuscritos, etc.), apresenta-se o “Nós” que formou Orpheu e alargam-se perspectivas de leitura a todos “Nós” que, um século depois, continuamos a descobrir Orpheu. Porque, como Pessoa concluiu: “Orpheu acabou. Orpheu continua.”

 

O ambiente gráfico e expositivo foi desenvolvido por Sílvia Prudêncio.

 

Nós, os de Orpheu circulará internacionalmente através do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, e, nacionalmente, através da Casa Fernando Pessoa.

 

Para mais informações, detalhes e solicitação do ficheiro digital:

info@casafernandopessoa.pt

+351 21 391 32 70

 

publicado por CFP às 15:34
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Informações e contactos

www.casafernandopessoa.pt

Morada:

Rua Coelho da Rocha, 16, Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

Tel: 21 391 32 70

@: info@casafernandopessoa.pt

Horário: Segunda a Sábado das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17h30)

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