Quinta-feira, 30 de Junho de 2016

Fora de Casa e na Casa Fernando Pessoa.

Nos próximos dois meses não estamos de férias. Veja toda a nossa programação para Julho e Agosto seguindo por aqui.

 

publicado por CFP às 18:19
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"Grande Oriente Lusitano - Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Tolerância" por Helena Feital, aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

Numa colaboração com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o curso de Introdução aos Estudos Pessoanos foi desenvolvido especificamente para a Universidade Sénior de Campo de Ourique e tem o objectivo de apresentar as muitas e variadas facetas de Fernando Pessoa enquanto homem e escritor.

 

Quando conhecemos o Grande Oriente Lusitano pela primeira vez e, em simultâneo, o Museu Maçónico Português, fiquei como que rendida ao peso dos seus ideais de vida, tão complexos e tão difíceis de alcançar. Para escrever sobre esta visita precisei de tempo. Tempo para interiorizar, para refletir e dar voz à grande coragem e abnegação de uma cidadania superior.

 

Um Maçon é guardião dos ensinamentos da escola iniciática ocidental, da escola de democracia (herdeira dos gregos) e da utopia do espírito liberal puritano inglês do sec. XVIII, em suma da Tradição, da Ordem, da Regra e da Lei.

 

O Maçon ama a humanidade, faz o bem pelo amor do próprio bem. E exercita a filantropia, sem se proclamar doador.

 

E comecemos pelos seus primórdios em Portugal. Entre 1727 e 1890 a génese da maçonaria portuguesa que foi o Grande Oriente Lusitano, uma das mais antigas e independentes obediências maçónicas europeias sofreu várias e dolorosas perseguições.

 

Com a Inquisição, Pina Manique ordenou que muitos dos seus membros fossem presos, torturados ou até mesmo mortos. Em 1820 acaba a Inquisição e desta forma, finalmente os maçons podem viver à luz do dia.

 

A maçonaria deve aperfeiçoar os homens, para refazerem o mundo possível, com a condição que seja o que deve ser: melhor e mais fraterno. O seu método para o pensamento, princípios e valores têm como dever a busca da verdade. O papel cívico da maçonaria torna-se muito importante nos séculos XIX e XX, dada a forte influência de sua ação em Portugal:

 

  • A Revolução Liberal de 1820
  • A Abolição da pena de morte e da escravatura
  • A Implantação da República em 1910
  • Deve-se-lhe também a criação do sistema de jurados.

 

A sua ação cívica é enorme, tendo como papel preponderante a defesa dos homens e dos seus direitos. Acabar com as desigualdades sociais e, através das suas obras filantrópicas, dar mais força à Liberdade, à Cidadania e à Democracia. Acabar com a exclusão social e dar à educação um papel fulcral na sociedade. Aliás, a educação sempre foi uma das maiores preocupações da maçonaria numa ética universal dos direitos humanos.

 

Ao longo dos tempos o Grande Oriente Lusitano edificou a Academia das Ciências de Lisboa e deu origem a várias escolas primárias (e secundárias) como a do Conde de Ferreira. No séc. XVIII, por causa das perseguições, comunicavam por um alfabeto em código que era composto por nove (quadradinhos) divisões com pontinhos e sem pontinhos. Tão simples como uma máquina de escrever (secreta...) que está em exposição no Museu Maçónico.

 

Sim, a maçonaria deixou marcas profundas na nossa sociedade, seja pelos métodos de avaliação, experimentação ou co-educação, caso da antiga Escola Marquês de Pombal em Lisboa e da Vasco da Gama no Porto.

 

Métodos, equipamentos e trabalhos que são espelho de uma escola de vanguarda e inovação, conjugando a teoria com a prática. As crianças são valorizadas, ao mesmo tempo que lhes são ensinados os valores da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da tolerância.

 

O amor é muito importante nas obras sociais. E foi através desse ideal maçónico que foi fundado o Orfanato de S. João e muitos outros mais. Criaram a Associação dos Inválidos do Comércio e um sem número de outras ações sociais importantes.

 

Quando se estreou a Assembleia Nacional, do ponto de vista legislativo, o deputado Sr. José Cabral apresentou em 19 de Janeiro de 1935 o projeto de lei para acabar com as “associações secretas”.

 

Opondo-se veementemente a esse projeto, Fernando Pessoa, que não era maçon, escreveu, em 04 de Fevereiro de 1935, um artigo no Diário de Lisboa, em defesa dos direitos e liberdades da maçonaria, com especial destaque para o Grande Oriente Lusitano.

Desse longo artigo lembro dois parágrafos...

“Existem hoje em actividade em todo o mundo, cerca de seis milhões de maçons, dos quais cerca de quatro milhões nos Estados Unidos e cerca de 1 milhão sob as diversas Obediências independentes britânicas. Assim cinco sextos dos maçons hoje em actividade são maçons de fala inglesa. O milhão restante, ou coisa parecida, acha-se repartido pelas Grandes Obediências dos outros países do mundo, das quais a mais importante e influente é talvez o Grande Oriente de França. As obediências maçónicas são potencias autónomas e independentes.

....

A maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita, portanto, a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto a atitude social, diferentemente. Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como aliás qualquer instituição, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme circunstâncias de meio e momentos históricos, de que ela não tem culpa. Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia – a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender.”

A aprovação do Decreto-Lei nº 1901 de 2 de Maio de 1935 proposto pelo Sr. José Cabral dá a Salazar o poder de forçar os membros maçónicos à clandestinidade ou até mesmo à prisão ou ao exilio político. Desta forma, acabou com o Grande Oriente Lusitano sendo os seus bens confiscados e o Palácio Maçónico ocupado pela Legião Portuguesa.

Com a Revolução do 25 de Abril de 1974, o Grande Oriente Lusitano pôde voltar “à luz do dia”, tendo-lhe sido devolvido o Palácio Maçónico e sido paga uma indeminização.

Entre os seus membros contam-se figuras de relevo na História de Portugal.

Durante a nossa visita, fomos à Biblioteca repleta de livros importantes para o conhecimento do que é a maçonaria e o que representa ser maçon. Lá estava, num livro pequeno, o artigo de Fernando Pessoa, com o agradecimento da maçonaria.

Ficámos despois a conhecer algumas das simbologias dogmáticas dos maçons e passámos a ver, detalhadamente os 4 elementos do vestuário que são importantes para os maçons:

  • A Joia que normalmente é de metal mas também pode ser em papel – é distintiva do grau da pessoa: grão-mestre, secretário, guardião, etc. Cada um tem a sua joia especial.
  • O Avental bordado em seda ou em algodão.
  • A Espada – que significa a nobreza.
  • As Luvas Brancas – como proteção.

 

Nas funções iniciáticas não há “trabalho”. Há o Sonho e o Esforço. A ordem de trabalho na Maçonaria chama-se Prancha

Imagem1.jpg

 

 

 

Templo Maçónico

 

A maçonaria construiu o seu templo à imagem do Templo de Salomão.

Os símbolos maçónicos são o triângulo com o Olho de Órus. E o esquadro, normalmente com um braço maior do que o outro. Tem também o compasso. Esquadro e Compasso são as 3 Luzes Maiores.

O Templo Maçónico é o lugar sagrado dedicado às liturgias próprias. Ao entrarmos no Templo vemos que, do lado norte, não há colunas. As colunas internas são as colunas de construção do Templo de Salomão.

  • Dórica (coluna da Força/da Luz)
  • Jónica (coluna da Sabedoria)
  • Coríntica (coluna da Beleza e Luz)

O lado norte das colunas é destinado aos Aprendizes. O lado sul, aos Companheiros e Mestre. Os graus de um maçon são de Vigilante (Venerável que desempenha um cargo importante, porque já teve lugar de mestre). O Irmão Guarda-Interior é quem abre a porta da loja e pede identificação, palavra passe e idade.

A hierarquia maçónica começa pelo Aprendiz. Depois passa a Companheiro. E no cargo principal está o Grão-Mestre. Para os maçons a divindade maior é o Grande Arquitecto do Universo.

As proporções áureas do templo são-nos dadas pelos quadrados pretos e brancos no solo – os quadrados, simbolizam luz e trevas. A posição dos pés e das mãos é tudo simbólico (ângulo reto, simboliza o triângulo). A 4ª coluna normalmente secreta, é a coluna da Luz e Sabedoria.

Ser maçon é como viver num Universo único e universal.

Depois desta visita, penso que todos nós, professor e alunos, ficámos mais ricos; em sabedoria e no conhecimento de outras entidades superiores da nossa sociedade.

Até um dia!

                                                                      

                                                                                

publicado por CFP às 16:09
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Verão na Casa Fernando Pessoa

imagem NL.jpg

 

Esplanada, Jardim da Estrela e até uma casa fora da Casa.                    
A programação deste Verão convida a sair. E a entrar. Uma residência artística, jazz na esplanada e oficinas no jardim – e a Casa Fernando Pessoa de portas abertas.

O folheto com a nossa programação para Julho e Agosto já está na rua. Se não encontrar noutros locais, venha visitar-nos e saber da nossa agenda para os dias mais quentes. 

 

 

 

publicado por CFP às 17:01
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

CONGRESSO INTERNACIONAL FERNANDO PESSOA 2017

CALL FOR PAPERS

 

A Casa Fernando Pessoa encontra-se a preparar o próximo Congresso Internacional Fernando Pessoa, que irá decorrer nos dias 9, 10 e 11 de Fevereiro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian (Auditório 2), em Lisboa.

 

Este Congresso procura abrir espaço para apresentar propostas de investigação recentes e inovadoras em torno da obra de Fernando Pessoa.

 

O Call for Papers destina-se exclusivamente a doutorandos. Serão apenas aceites propostas de investigadores que estejam a preparar o seu Doutoramento, associados para esse efeito a uma instituição académica, e que à data do envio da proposta não possuam ainda o título de Doutor.

 

Os interessados em participar deverão enviar, até 31 de Agosto de 2016, a sua proposta para o endereço congressointernacionalfp@casafernandopessoa.pt, indicando no assunto do email: Call for Papers – proposta.

 

As propostas serão avaliadas pela Comissão Organizadora formada para esta edição do Congresso Internacional Fernando Pessoa e composta por Antonio Cardiello, Mariana Gray de Castro e Pedro Sepúlveda. Serão avaliadas de forma anónima ("blind review").

 

Mais informações aqui.

publicado por CFP às 15:34
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Informações e contactos

www.casafernandopessoa.pt

Morada:

Rua Coelho da Rocha, 16, Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

Tel: 21 391 32 70

@: info@casafernandopessoa.pt

Horário: Segunda a Sábado das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17h30)

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