Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

Almada Negreiros - Ir mais além, sem limites nem fronteiras.

Helena Feital *

 

Toda a arte, nas suas várias vertentes, seria para Almada uma parte do espectáculo.

Do simples papel para escrever e desenhar, ou até mesmo pintar. Do gesso à tela. Da pedra bruta à delicadeza dos Vitrais. Da dança ao teatro. Do cinema à televisão (a sua última intervenção em público, foi no 1.º programa do Zip-Zip). E o espectáculo aconteceu!

Tudo em Almada era uma explosão de modernidade e espectáculo.

Cada atitude demonstrava a sua total entrega nos momentos difíceis que trespassaram a sua vida. Sem se prender a críticas nem rejeições, Almada demonstrou ser um homem de carácter que persistia polémico e combativo na defesa da modernidade e dos seus ideais artísticos. Por vezes, pegava em trabalhos que já tinha realizado e dava-lhes outra linguagem visual de crescimento intelectual e artístico.

Esta grande exposição de Almada Negreiros na Gulbenkian, apresenta mais de quatrocentas obras (incluindo estudos inéditos e outros quase desconhecidos) e aqui, vamos à descoberta da faceta experimental e contraditória da modernidade e até do cubismo.

Almada privou durante toda a sua vida com grandes Artistas. Escritores como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Pintores como Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor e Mário Eloy. E ainda Editores, Músicos, Cenógrafos, Encenadores e Arquitectos, como Pardal Monteiro, demonstrando a pujança da sua obra artística que catalisou a vanguarda dos anos iniciais de 1910, e se manteve durante quase todo o século XX. Desde muito jovem, Almada dedicou-se ao desenho de humor, publicado em jornais e revistas.

Mas, a sua notoriedade começou com a escrita interventiva ou literária, na qual deu um importante contributo para a dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu.

Foi o rasgar do atavismo das regras rígidas da arte de então. Aqui, nasceu o Futurismo Português.

Com a “Geração Orpheu” deu-se um passo gigantesco na modernidade – contraditória, híbrida, experimental e… transformadora. “O poeta é um transformador”, como disse Fernando Pessoa. As regras foram quebradas!

E Almada, com a sua versatilidade abriu, também, novos horizontes nas artes plásticas como o desenho e a pintura. Na escrita destacam-se o ensaio, a poesia, a dramaturgia e o romance.

Com a morte precoce de Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita Pintor, Almada partiu à descoberta de si próprio, sobrepondo-se à segunda e terceira geração dos futuristas.

A contundência das suas intervenções iniciais iria abrandar, cedendo lugar a uma atitude mais lírica e construtiva que abriu caminho para a sua obra plástica e literária da maturidade.

Depois da 1.ª Guerra Mundial, tal como os outros seus colegas de geração, Almada esteve em Paris, onde se sentia desfazado dos companheiros e do meio artístico francês. Dessa curta estadia ficou-lhe a admiração pelo trabalho de Picasso. Mais tarde chegou a residir, durante alguns anos, em Madrid.

Recomendado por alguns artistas, foi convidado pelo Cine São Carlos, a fazer 11 painéis em gesso alusivos à arte cinematográfica. Desse trabalho, restam apenas 2 painéis que tiveram de ser restaurados. Para sobreviver, Almada foi também bailarino e ator.

Depois do seu regresso a Lisboa, em 1931, voltou também Mário Eloy. E ambos estabeleceram contacto. Ele foi um dos mais importantes contributos para a evolução, no sentido da cor, de Almada Negreiros. Tinta espessa e consistente em Eloy e mais suave em Almada. Decisivo para a sua evolução formal e temática, foi o seu casamento com Sarah Afonso em 1934. Almada pintará o duplo retrato onde aparecem ambos quase em desenho formal mas, extremamente revelador, das suas diferentes personalidades. Em 1935 Almada celebra o nascimento do seu filho José no quadro “Maternidade” – é a revelação de uma maturidade cromática, nunca antes revelada em Almada. Porque dentro destas imagens nasceu o amor.

Ser ator, cenógrafo, ou pintor dos cenários para a peça do S. Carlos foram outras das realidades dominadas.

Depois, que dizer… duas tapeçarias muito belas para Portalegre. E mais tarde uma tapeçaria para a exposição de Lausanne. Sem se fixar num domínio único e preciso, o que emerge é sobretudo a imagem do artista total, inclassificável. “Onde tudo é superior à soma das partes.”

Que dizer dos murais das Gares? Apenas que a decoração é a alma da arquitectura. É o corpo daquela imensa vibração que ganha força na capacidade de transposição mítica do destino e da história da cidade.

Na Gare da Rocha do Conde de Óbidos, o rigor da composição confere-lhe o estatuto de obra-prima da pintura portuguesa.

Em dois trípticos fala-se da partida dos emigrantes e no outro vitral, respira-se alegria no imaginário de um domingo à beira-rio.

A Gare Marítima de Alcântara expressa a ideologia decorativa em dois trípticos. O primeiro com a lenda da Nau Catrineta. No segundo, a vida da Lisboa Ribeirinha. Há ainda duas composições isoladas. Na primeira, uma festa de romaria. A outra, revela a lenda de D. Fuas Roupinho.

Não poso esquecer outra obra “tridimensional”: o Painel em pedra gravada intitulado “COMEÇAR” no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian. São 4 zonas solidárias na sua composição. Da inteligência do homem, revelam-se os símbolos matemáticos que nos elevam até à alma. No espaço sideral ficam o conhecimento, o desenvolvimento, a determinação. Círculos e quadrados, triângulo e circunferência. E as estrelas de dezasseis pontas. A complexidade de traçados elevam o pensamento até ao infinito do começo de tudo.

Não há como esquecer os vitrais de diversas igrejas: Igreja de Nossa Senhora de Fátima (onde iniciou a sua colaboração com o arquitecto Pardal Monteiro), Igreja de St.º Condestável, em Campo de Ourique, Igreja da Marconi, em Vendas Novas. E por último, celebro a alegria de ter dois génios no mesmo trabalho. Refiro-me aos retratos de Fernando Pessoa no Café Martinho da Arcada. O primeiro pintado em 1954, e o segundo em 1964.

 

retrato almada.jpg

Fig. 1 – Retrato de Fernando Pessoa, 1954 – Colecção Museu de Lisboa

 

Demoro-me a ver cada detalhe do primeiro quadro. A atmosfera que me entra no coração é ver que tudo está à medida dos desejos de Fernando Pessoa. Era a sua mesa. Era o seu olhar perdido nas profundezas de todos os seus Eus. Era o abismo que se desvenda no correr da caneta. Mas podia ser um pincel. Porque tu, Fernando Pessoa ganhavas corpo de tinta espessa e vibrante em muitos poemas. Noutras, e sempre na profundidade do teu olhar, arrancavas a fúria do mar, desenhada em cores profundas e raivosas, agitadas, perigosas, como as cores da tristeza de um naufrágio. E ali, já era a paisagem verdejante. Há em ti, uma sinfonia de cores e de sons que evocam o céu, límpido e sereno, como o deslizar do teu pincel. Se preferires, eu digo caneta. Mas tu, que és tantas emoções, tantas paixões, és o pintor das palavras…para sempre. E muitas palavras em telas, ainda estão a voar, na evocação do teu olhar.

Mas, neste momento o meu olhar deteve-se nas revistas em que tu e Almada se descobriram e se deram a conhecer … no primeiro número 1 da revista Orpheu.

 

O MARINHEIRO

 

Drama estático em um Quadro  

 

Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo. (…)

Ao centro ergue-se um caixão com uma donzela, de branco. (…)

A direita, quasi em frente (…) há uma única janella, alta e estreita, dando para onde só se vê, entre dois montes longínquos, um pequeno espaço de mar.

Do lado da janella velam trez donzellas. (…)

É noite e há como que um resto vago de luar.

 

(…) Primeira – Porque é que me respondestes? … Pode ser … Eu não vi navio nenhum pela janella… Desejava ver um e fallei-vos d'elle para não ter pena …Contae nos agora o que foi que sonhastes á beira mar…

Segunda – Sonhava de um marinheiro que se houvesse perdido numa ilha longínqua. Nessa ilha havia palmeiras hirtas, poucas, e aves vagas passavam por ellas… Não vi se alguma vez pousavam.

Desde que, naufragado, se salvára, o marinheiro vivia alli… Como elle não tinha meio de voltar a pátria, e cada vez que se lembrava d'ella sofria, poz-se a sonhar uma pátria que nunca tivesse tido; poz-se a fazer sua uma outra pátria, uma outra espécie de paiz, com outras espécies de paysagens, e outra gente, e das janelas … Cada hora elle construía em sonho esta falsa pátria, e elle nunca deixava de sonhar, de dia á sombra curta das grandes palmeiras, que se recortava, orlada de bicos, no chão areento e quente; de noite, estendido na praia, de costas, e não reparando nas estrellas.

 Primeira – Não ter havido uma árvore que mosqueasse sobre as minhas mãos estendidas a sombra de um sonho como esse!...

Terceira – Deixae-a fallar…Não a interrompaes…Ella conhece palavras que as sereias lhe ensinaram…Adormeço para a poder escutar…Dizei, minha irmã, dizei…Meu coração doe-me de não ter sido vós quando sonháveis à beira mar…

 

(…)

 

11/12 Outubro, 1913.

 

Fernando Pessôa

 

FRIZOS

 

Do desenhador

 

JOSÉ DE ALMADA-NEGREIROS

 

CANÇÂO DA SAUDADE

 

Se eu fosse cego amava toda a gente.

Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.

Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longuissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indifferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios – as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.

Se eu fosse cego amava toda a gente.

 

OPIÁRIO

      E

ODE TRIUNFAL

 

DUAS COMPOSIÇÕES DE

ALVARO DE CAMPOS

      PUBLICADAS POR

FERNANDO PESSOA

 

 

 

 

 

OPIÁRIO

 

                                                                    Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro

 

É antes do ópio que a minh’alma é doente.

Sentir a vida convalesce e estióla

E eu vou buscar ao ópio que consóla

Um Oriente ao oriente do Oriente.

 

Esta vida de bórdo ha-de matar-me.

São dias só de febre na cabêça

E, por mais que procure até que adoêça,

Já não encontro a móla pra adaptar-me.

 

Em paradoxo e incompetência astral

Eu vivo a vincos d'ouro a minha vida,

Onda onde o pundonôr é uma descida

E os próprios gosos ganglios do meu mal.

 

É por um mecanismo de desastres,

Uma engrenagem com volantes falsos,

Que passo entre visões de cadafalsos

Num jardim onde ha flores no ar, sem hastes.

 

Vou cambaleando através do lavôr

Duma vida-interior de renda e láca.

Tenho a impressão de ter em casa a fáca

Com que foi degolado o Precursôr.

 

Ando expiando um crime numa mála,

Que um avô meu cometeu por requinte.

Tenho os nervos na fôrca, vinte a vinte,

E caí no ópio como numa vála.

 

(…)

 

E afinal o que quero é fé, é calma,

E não ter estas sensações confusas.

Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —

E basta de comedias na minh’alma!

 

                                                  1914, Março.                       

                                                  No Canal de Suez, a bordo.

 

 

 

 

 

ODE TRIUNFAL

 

Á dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, féra para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

 

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fóra e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fóra,

Por todas as papilas fóra de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

 

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —

Grandes trópicos humanos de ferro e fôgo e fôrça —

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E ha Platão e Vergilio dentro das máquinas e das luzes eléctricas

Só porque houve outrora e foram humanos Vergilio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cincoenta,

Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

 

(…)

 

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!

Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!

Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

 

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

 

                        Londres, 1914 — Junho.

                              Alvaro de Campos.

 

E depois de Vivenciar esta miríade de sentidos que me abalavam a alma, só posso agradecer-vos pela magnitude destes momentos inesquecíveis.

 

Fernando Pessoa – O mito é o nada que é tudo.

 

Almada Negreiros – a condição humana partilhada entre o nada da realidade e o tudo dos sonhos.

 

Lisboa, 1 de maio, 2017

 

Helena Feital

 

publicado por CFP às 16:31
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